Estudos Bíblicos

Torre de Babel

Torre de Babel
Wilson Lemos
Escrito por Wilson Lemos

A  Lenda

Logo após o dilúvio, a terra passa a ser povoada pelos filhos de Noé. A memória da grande enchente ainda está fresca na mente de todos. Toda carne fora destruída em um julgamento divino. Neste ambiente surge a lenda da mãe de deus e do menino deus.

“Cuxe gerou a Ninrode, o qual começou a ser poderoso na terra. Foi valente caçador diante do Senhor; daídizer-se: Como Ninrode, poderoso caçador diante do Senhor. O princípio de seu reino foi Babel, Ereque, Acade e Calné, na terra de Sinear. Daquela terra saiu ele para a Assíria e edificou Nínive, Reobote-ir e Cala.  

E, entre Nínive e Cala, a grande cidade de Resém.” Gn10:8-12

O cenário é o seguinte: surge a primeira geração de homens depois do dilúvio. A inundação ainda está fresca na mente de todos. Noé ainda está vivo. Nas genealogias de seus filhos, especificamente de seu filho Cão, a quem Noé havia amaldiçoado a descendência (Gn 9:25-27), surge um eminente personagem. Seu nome se tornou lenda e provérbio. Ele se destaca como um poderoso e respeitado caçador.

 “Cuxe foi pai de [Ninrode], o qual foi o primeiro a ser poderoso na terra:” I Cr 1:10

Veja, a Bíblia registra sua presença com destaque. Ele é considerado um grande caçador diante do Senhor:

 “Cuxe gerou a Ninrode, o qual começou a ser poderoso na terra. Foi valente caçador diante do Senhor; daí dizer-se: Como Ninrode, poderoso caçador diante do Senhor.”

Ele é o primeiro homem que se sobressai na terra pós diluviana. Entretanto, o que na verdade encontramos quando procuramos o significado real do que era ser “Ninrode foi um poderoso caçador diante do Senhor”, é uma absoluta irreverência e desrespeito para com Deus. A palavra “diante” no texto original possui uma forte conotação de afronta e rebelião.

O próprio nome de Ninrode tem o significado de “ele se rebelou”. A palavra usada é “marad” da raiz mrd, que quer dizer “rebelde”. A hostilidade está presente em relação ao Criador.

Para muitos eruditos, Ninrode quer dizer: “aquele que fez todo o povo rebelar-se contra Deus”1 Ele é chamado de Gibbor, um “guerreiro.” Fala-se acerca dele que era um homem enorme, que deixou muitas lendas que se desenvolveram em torno de seus atos.

Suas histórias percorreram o mundo. Por ser um homem incomum, habilidoso e capaz de lutar contra as feras que após o dilúvio passaram a atacar os homens, ele foi deificado. Na verdade, havia um costume na antiguidade de incensar homens como a glorificação de seus grandes feitos.

Sua glória consistia na força bruta, o que o tornou um herói temido, sua fama foi traduzida por um provérbio que ultrapassou gerações:

“…como Ninrode, poderoso caçador diante do Senhor”

No mundo antigo, a extensão de sua adoração foi surpreendente. Em seus dias ele era altamente popular. Ele ganhou a fama de benfeitor por suas façanhas libertando o mundo dos “monstros” e se firmou como o primeiro grande construtor de cidades, reunindo homens em massas e cercando-os com paredes.

Como os animais ferozes aterrorizavam os homens, ele os proporcionou segurança ao cercá-los com muros. Na versão da Septuaginta grega do gênesis ele é chamado de “Ninrode, o gigante.” Na verdade ele não era somente um poderoso caçador, mas também um grande edificador de cidades.

Existe um registro objetivo de suas realizações em seu reino. Trata-se do primeiro reino humano a ser mencionado, pois antes dele não existe nenhum registro que um reino humano houvesse existido, nem mesmo nenhum outro rei é mencionado.

Surge então o primeiro império, o primeiro rei humano que levanta a estátua do governo gentio, vista muitos anos depois por um descendente de Ninrode, Nabucodonosor. Ninrode, então, é o fundador do sistema do mundo, o Cosmos. Foi o primeiro a retirar a referência a Deus como o Senhor e estabeleceu seu domínio através da força e da arrogância contra Deus.2

“Este será a nossa paz. Quando a Assíria vier à nossa terra e quando passar sobre os nossos palácios, levantaremos contra ela sete pastores e oito príncipes dentre os homens. Estes consumirão a terra da Assíria à espada e a terra de Ninrode, dentro de suas próprias portas. Assim, nos livrará da Assíria, quando esta vier à nossa terra e pisar os nossos limites.” Mq 5:5-6

Babel foi o centro do seu império. Ele edificou seu reino em toda terra de Sinear, desde Ereque, Acade e Calné, até Babel, que se tornou o centro de suas atividades, a capital de seu reino.

“O princípio de seu reino foi Babel, Ereque, Acade, e Calné, na terra de Sinear. Daquela terra saiu ele para a Assíria, e edificou Nínive, Reobote-ir e Cala. E, entre Nínive e Cala, a grande cidade de Resém.” Gn 10:10-12

O começo do novo mundo depois do dilúvio, iniciou-se em Babel. Esta foi a capital do mundo antigo.Em Babel foi edificada a torre da rebelião. Este homem, que a Bíblia mostra como o fundador de Babel, foi o responsável pela edificação da torre de Babel.

Ninrode possuía planos ambiciosos. Ele começou a construir uma torre.

Estudiosos apontam que a construção da torre era com o propósito de afrontar a Deus, pois acredita-se que Ninrode estava procurando ser adorado, tornando-se concorrente a divindade. Seu domínio seria ameaçado justamente pelo Criador. Havia um mandamento do Senhor de se espalhar e encher a terra:

“Abençoou o Senhor a Noé e a seus filhos, e lhes disse: Sede fecundos, multiplicai-vos e enchei a terra… Mas sedes fecundos, e multiplicai-vos; povoai a terra, e multiplicai-vos nela.” Gn 9:1 e7

Sob a liderança de Ninrode, o povo se reuniu em uma planície na terra de Sinear, veja:

“E disseram uns aos outros: Vinde, façamos tijolos, e queimemo-los bem. Os tijolos serviram-lhes de pedra, e o betume de argamassa.

Disseram: Vinde, edifiquemos para nós uma cidade e uma torre cujo topo chegue até aos céus, e tornemos célebre o nosso nome, para que não sejamos espalhados por toda a terra.” Gn 11:3-4

Flávio Josefo, um historiador de grande credibilidade, escreve a respeito desta época distante:

“Os três filhos de Noé: Sem, Jafé e Cão, que haviam nascido cem anos antes do dilúvio, foram os primeiros que deixaram as montanhas, para morar nas planícies, o que os outros não ousavam fazer, tanto estavam ainda assustados com a desolação universal, que havia sido causada pelo dilúvio; mas estes, animaram-nos com seu exemplo a imitá-los.

Deram o nome de Sinaar à primeira terra em que habitaram. Deus ordenou que mandassem colónias a outros lugares, a fim de que, multiplicando-se e estendendo-se, pudessem cultivar mais terras, colher frutos em maior abundância e evitaras “desinteligências” que de outro modo poderiam ser suscitadas entre eles.

Mas esses homens rudes e indóceis não obedeceram e foram castigados pelo seu pecado, com os males que lhes sucederam. Deus vendo que seu número crescia sempre, ordenou-lhes segunda vez que formassem outras colônias.

Mas esses ingratos que se haviam de que eram devedores de todos os seus bens a Ele, e os atribuíam a si mesmos, continuaram a desobedecer-Ihe e acrescentaram à sua desobediência, a impiedade de imaginar que era cilada que se lhes armava, a fim de que, estando divididos pudesse Deus mais facilmente perdê-los.

Ninrode, neto de Cão, um dos filhos de Noé, foi quem os levou a desprezar a Deus, desta maneira.

Ao mesmo tempo, valente e corajoso, ele os persuadiu de que deviam unicamente ao seu valor, e não a Deus, toda a sua boa fortuna.

E como ele aspirava o governo e queria levá-los a escolhê-lo para seu chefe e deixar a Deus, ofereceu-se para protegê-los contra Ele, (se Ele ameaçasse a terra com outro dilúvio), construindo uma torre para esse fim, tão alta que não somente as águas não poderiam chegar-lhe ao cimo, mas que ainda ele vingaria a morte de seus antepassados.

O povo insensato, deixou-se dominar por essa estulta persuasão, de que lhe seria vergonhoso ceder a Deus e começou a trabalhar nessa obra, com ardor incrível. A multidão e a atividade dos operários, fez com que a torre em pouco tempo se elevasse a altura acima de toda e qualquer expectativa, mas sua debilidade fazia com que parecesse menos alta do que era de fato.

Construíram-na de tijolos, cimentando-a com betume, para torná-la mais forte.

Deus irado com essa loucura, não quis no entanto exterminá-los, como havia feito aos seus predecessores, cujo exemplo, porém, lhes havia sido de todo inútil, mas pôs divisão entre eles, fazendo com que a única língua que falavam se multiplicasse num instante, de tal modo que não mais se entendiam; essa confusão fez que se desse ao lugar onde se havia construído a torre, o nome de Babilônia, pois Babel em hebreu significa confusão”3

Josefo consegue decifrar o que realmente estava acontecendo em Babel, nos dias de Ninrode. Ele estava afrontando a Deus. Você pode estar a se perguntar: como isto é possível? É tão possível que todos os dias eu abro os jornais e vejo homens afrontando a Deus, eu ligo a televisão e vejo homens afrontando a Deus, acesso a Internet e homens estão afrontando a Deus.

Porém o erro de Ninrode é ainda mais perverso, porque entende-se que ele tinha uma grande consciência da Presença do Criador, ao ponto de lançar uma flecha contra os céus desafiando a autoridade divina. Imagine bem esta cena.

Ninrode discursa contra Deus diante do povo, olha para os céus arrogantemente e afronta: “Tu não vais nos afogar de novo, tu não vais nos matar novamente, pode mandar suas águas que tu não vais nos destruir como destruiu nossos antepassados.” A memória da inundação era recente.

A lembrança do dilúvio terrível pelo qual Deus enviou seu juízo sobre o velho mundo estava fresca nas mentes dos homens. Ninrode disse ao povo que deveria estar livre do medo de Deus lhe afogar de novo e convenceu a todos que deveriam construir uma torre tão alta que as águas de um segundo dilúvio não os afogaria.

A torre era uma tentativa rebelde de se proteger de um suposto novo dilúvio de águas. Ele colocou o povo contra Deus com suas mentiras e quis ser adorado como um deus.

Ele se tornou o concorrente da divindade. Se intitulou a si mesmo de senhor. Estava falando contra Deus, blasfemando contra seu Nome, ele estava “diante” em uma atitude de oposição veemente. Ele foi divinizado, foi o primeiro homem deus, aquele que foi centralizado e adorado no lugar do verdadeiro Deus, o primeiro César com títulos divinos.

Sua lenda atravessou os mares e chegou às nações mais distantes. Sua memória foi cultuada e perpetuada na gravura e na escultura que impregnavam as paredes da torre de Babel, tornando-se objeto de culto pelos antigos. Veja o que John D. Davis escreve:

“…embelezou-se pela lenda que o transformou em divindade, a quem as gerações futuras dirigiam súplicas”.4

Quando Deus confundiu as línguas e o reino de Babel foi fragmentado, a figura de Ninrode, que estava refletida em estátuas e imagens, foi preservada. Muitos tijolos da torre de Babel foram achados no atual Iraque e possuíam uma imagem gravada que se acredita ser deste primeiro humanista autoproclamado deus.

Ninrode chegou até mesmo a figurar na abertura do programa Fantástico, da emissora rede Globo de televisão aqui no Brasil, quando um homem com cabelos de fogo atira uma flecha contra os céus. Sua mulher também aparece na cena, com a torre da rebelião em sua cabeça.

A história revela que Ninrode é o mesmo que Ninus, o primeiro rei assírio, fundador da antiga Babilônia. Nínive, na Assíria, foi fundada por ele em honra a Isthar, a deusa da fertilidade. Na verdade, Nínive recebeu este nome por ser a transliteração hebraica do nome Ninus. No Egito , seu nome era Osíris.

Estudiosos procuram encontrar ligação entre seu nome e Marduque, uma das principais divindades babilônias, já que muitos mitos vieram vincular-se a ele, fazendo com que seu nome se misturasse às religiões subsequentes. É verdade que muitos demonólogos testificam a respeito deste sincretismo.

Ninrode casou-se com uma mulher chamada Semíramis, que estudiosos afirmam ser sua própria mãe. Algum tempo depois de se casar com ela, ele morreu tragicamente e seu corpo foi cortado e enviado a todo o seu reino.

Segundo Alexander Hislop, Ninrode foi condenado em um julgamento pelos seus crimes por Sem, filho de Noé, que o matou por seus cultos abomináveis aos demônios. Acredita-se que Ninrode foi aquele que estabeleceu as ciências mágicas e a astrologia.

Ele foi o precursor desse sistema de Mistérios, dos ritos de magia na invocação de mortos (necromancia). Após a morte do marido, Semíramis teve um filho que lhe deu o nome de Tamuz.

Veja o que Hislop diz acerca disto:

“Se ouve alguém que ficou profundamente consternado com a morte de Ninrode, mais do que todos, este alguém foi sua esposa Semíramis, a qual, de uma posição originalmente humilde, fora elevada para compartilhar com ele o trono de Babilônia.

O que, naquela emergência, deveria ela fazer? Deveria mansamente desistir da pompa e do apogeu a que tinha sido elevada? Não. Embora a morte de seu marido representasse um duro golpe ao seu poder, sua resolução e ambição desmedida não estavam de forma alguma em questão. Ao contrário, sua ambição alçou um vôo ainda mais elevado.

Em vida, seu marido havia sido honrado como um herói; na morte, ela faria com que fosse adorado como um deus, sim, como a prometida semente da mulher – “Zeroashta”, que estava destinado a esmagar a cabeça da serpente, e quem, ao fazê-lo, teria ferido seu próprio calcanhar.

Os patriarcas e o mundo da antiguidade em geral tinham perfeito conhecimento da grande promessa primeva do Éden e sabiam muito bem que o ferimento no calcanhar da semente prometida implicaria em sua morte, e que a maldição seria removida do mundo somente através da morte do grande Libertador.

Se a promessa acerca do esmagamento da cabeça da serpente, registrada no gênesis, como foi feita aos nossos primeiros pais, foi de fato feita, e se toda raça humana descendia deles, então seria de esperar que alguns traços desta promessa fossem encontrados em todas as nações. E de fato é assim. Dificilmente, existe um povo ou grupo sobre a terra, em cuja a mitologia isto não se tenha refletido.” 5

Sua morte levantou grande alvoroço, produzindo grande repercussão. Ele na verdade, era um mito em vida e veio a ser tornar uma lenda na morte. Semíramis, sua mulher, declarou que agora ele residia no sol, e o presidia, e que era “enato” o deus sol.

Ela gerou um filho após sua morte, ao qual pôs o nome de Tamuz, que afirmava ser a semente prometida por deus conforme Gn 3:15 e o filho do deus sol, o menino deus. Semíramis afirmava que o menino seria a reencarnação do pai; ela dizia que seu filho era deus, por ser o próprio pai de volta através do menino; então, logo se presumia que ela era a mãe de deus, o que outorgou a ela o título de a “Rainha dos Céus”.

Assim Semíramis tornou-se a sumo-sacerdotisa dessa nova religião e a Grande Mãe.

Semíramis ,então, declarou a todo o povo que o filho que estava por conceber era a reencarnação do pai, o falecido Ninrode que era o grande “libertador”. Ela disse que Ninrode havia voltado a vida através do menino.

Juntando as Peças

Quando o menino Tamuz estava nas matas caçando, foi morto por um porco selvagem. Semíramis reuniu todas as sacerdotisas que serviam com ela no templo e chorou durante quarenta dias com jejuns pela morte de Tamuz. O que segundo a tradição babilônia trouxe Tamuz de volta a vida.

Sua suposta ressurreição se deu pela demonstração do poder de sua mãe. Semíramis tornou-se a Rainha dos Céus. Deste modo ela tomou para si o título de Grande Mãe, tornando-se o meio de acesso a Deus. O símbolo dessa religião passou a ser uma mãe segurando seu filho em seus braços.

O culto dessas entidades foi definido pela representação de uma mãe com uma criança nos braços, isto lhe parece familiar? Este era o culto de adoração da Grande Mãe e do menino deus. Nesta religião, a mãe era a grande mediadora para se chegar ao filho, que também era o pai reencarnado.

Através de um calendário anual eles observavam cerimônias especiais, observavam o nascimento do menino, separavam os quarenta dias de jejum todos os anos e no suposto dia de sua ressurreição, comemoravam a volta à vida do menino deus com a troca de ovos que simbolizavam a renovação da vida e coelhos que simbolizavam a mãe, a deusa da fertilidade.

A lenda de Ninrode se espalhou por toda a terra. Entretanto, ele não se tornou a figura central de sua lenda. Sua mulher blasfema o suplantou com sua sagacidade e engano.

Esta religião se espalhou por muitos países, a ponto de em todas as épocas e em todas as terras por todo o mundo, a deusa mãe e seu filho serem adorados sob diversos nomes. Quando Deus confundiu as línguas e espalhou os homens por toda o planeta, esta doutrina foi levada aos quatro cantos.

Seu símbolo era uma mãe com um menino no regaço, a mãe com o menino no colo, que eram adorados, como o menino deus, e a mãe de deus e que eram as representações de Semíramis e Tamuz. Esta é a religião do sistema anátema, gerenciado por homens afastados do verdadeiro Deus. Esta religião está em todo o mundo e é o que veremos no próximo capítulo.

Sobre o autor

Wilson Lemos

Wilson Lemos

Meu nome e Wilson lemos,
sou evangelista formado em bacharel em teologia pelo instituto de teologia
SETAD.

Sou casado e tenho por missão ajudar você a crescer espiritualmente em conhecimento.

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