Estudos Bíblicos

Os Principados e a Igreja

Os Principados e a Igreja
Wilson Lemos
Escrito por Wilson Lemos

A Igreja além de ser o corpo, a noiva, o repositório das revelações do Senhor Jesus, tem uma função pedagógica em relação aos principados e potestades. Ela foi chamada a ensinar e declarar o poder de Deus para os principados e potestades nas regiões celestiais.

A Igreja, pelo simples fato de ser Igreja, o povo de Deus redimido, expressa através da sua vida cotidiana a multiforme sabedoria de Deus aos principados e potestades, estes seres que, na linguagem do apóstolo Paulo, pertencem à alta hierarquia dos anjos caídos.

Mas, afinal, quem são os principados, as potestades e os governadores deste mundo tenebroso?

Para principados o apóstolo Paulo usa a palavra “archè” no grego que, no entender do estudioso Walter Wink, é um termo usado para se referir aos poderes humanos, isto é, ao que está investtido de poder, ou àquele oficial que assumiu um cargo, àquele que tem uma autoridade delegada para agir.

Arche está mais ligado à idéia de institucionalização e continuidade de poder através de um ofício, de uma posição ou de uma responsabilidade. (Wink, Walter-Naming the Powers/Philadelphia Fortress Press, 1984, p. 13.)

Da mesma forma potestade, a palavra que no grego corresponde a “eksousià”, de acordo com quase todos os estudiosos, era uma palavra que secularmente se referia ao poder humano, mas que pode ser aplicada referindo-se a um poder espiritual.

Em seu significado, além da idéia de poder, há a idéia de uma posição de autoridade. (Ibid.p.15) As potestades são, assim, espíritos de alta hierarquia que estão sob a influência direta de um principado, em sua posição de autoridade.

Já os dominadores, que no grego é a palavra “kosmokrator”, de acordo com Arnold Clinton, refere-se àquele poder reconhecido e adorado pelo povo como sendo o senhor do universo, o governante do mundo. Para os efésios ele era a deusa Artemis ou Diana. (Arnold, Clinton E. – Ephesians’ Power and Magic- Grand Rapids, Michigan, Baker BookHouse, 1989, p. 67 )

E, por fim, forças espirituais, que no grego é a palavra “pneumatikós”, refere-se genericamente a “pessoas espirituais”.

Como diz Milton Andrade, não existem na linguagem humana palavras adequadas para exprimir conceitos espirituais, de realidades que pertencem à dimensão espiritual e não ao mundo físico, e assim o apóstolo Paulo usou estes termos, que são relativos a poderes humanos, mas dando a eles um sentido espiritual.

(Andrade, Milton Azevedo – Vida em Abundância, Através da Libertação e Quebra de Maldições, São Paulo, IFC Editora, 2000)

Não vejo nenhum problema em o apóstolo usar estes termos dessa forma, indicando os poderes espirituais que podem agir neste mundo através de poderes humanos, a quem influenciam e controlam.

Quando Paulo define o nível de guerra que acontece nas regiões celestiais, ou seja, na dimensão espiritual, ele diz que a luta da Igreja não é contra sangue e carne, isto é, contra seres humanos na dimensão do natural; ele está declarando que a nossa guerra é na dimensão sobrenatural, ou espiritual.

E é neste contexto que a Igreja tem de demonstrar algo extraordinário a esses principados e potestades.

A Sabedoria de Deus

Para a mente hebreia, conviver com os gentios era algo fora do comum, pois feria uma série de princípios até então considerados sacrossantos; contrariava convicções seculares.

Mas, com a vinda de Jesus Cristo, a Igreja passou a ser o local de convivência harmoniosa entre dois grupos irreconciliáveis em termos de tradição religiosa e usos e costumes: judeus e gentios.

Através de Cristo, ambos tornaram-se participantes de um só corpo, com um só propósito, para demonstrar o poder, a misericórdia, a criatividade, o amor e a sabedoria de Deus, não só aos homens, na dimensão natural, mas também na dimensão espiritual – referida por Paulo como “regiões celestes” ou “lugares celestiais” – aos Principados e potestades. Por isso Paulo diz:

          “…para que, pela igreja, a multiforme sabedoria de Deus se torne conhecida, agora, dos principados e potestades nos lugares celestiais.” (Ef 3:10)

Os principados e potestades, os demônios – não importa a que hierarquia pertençam – são obrigados a tomar conhecimento da multiforme sabedoria de Deus através deste corpo de homens e mulheres lavados pelo sangue do Cordeiro, regenerados espiritualmente, chamado Igreja.

Os principados e potestades são seres que, de alguma forma, pela permissão de Deus, influenciam e governam corporações, atuam em cidades e propiciam acontecimentos e até tentam imiscuir-se na vida da Igreja e na vida dos cristãos; mas agora eles são obrigados a se confrontar com a estonteante e maravilhosa sabedoria de Deus que é demonstrada através da Igreja, através da vida do dia-a-dia dos redimidos por Jesus Cristo.

Estes são aqueles que se reúnem algumas vezes por semana para adorar a Deus em assembléia e que permanecem em diáspora nos demais momentos de sua vida.

A Igreja é o resultado da obediência de Jesus ao Pai, pois ele deixou toda a riqueza, todo o poder e toda a glória para atravessar a fronteira do divino e penetrar na dimensão da humanidade, encarnando-se num ser humano, tomando a forma de servo, tendo sido morto na cruz do Calvário, onde sofreu a dor e a agonia da morte e da separação do Pai, de quem ele nunca havia se separado.

Nessa missão ele foi até o inferno para pregar aos aprisionados.

Mas esse Jesus, que com a sua morte parecia que a sua história havia  terminado, de repente ressuscitou para trazer de volta tudo o que a humanidade havia perdido. De acordo com Scott, a sua ressurreição foi a maior demonstração da sabedoria de Deus aos Principados e potestades: (Arnold, Clinton E., op. cit., p. 63)

          “Pois os poderes malignos queriam frustrar o trabalho de Deus e creram que eles tinham sido muito bem sucedidos quando conspiraram contra Cristo e o levaram a ser crucificado. Mas, sem saber, eles foram meros instrumentos nas mãos de Deus.

Foi através da morte de Cristo que Deus havia planejado cumprir o seu propósito. Assim, foi na ressurreição que os poderes malignos, depois de seu breve e aparente triunfo, tomaram consciência de uma sabedoria divina que eles nunca tinham imaginado.

Eles viram a Igreja surgir como resultado da morte de Cristo, e foram forçados a perceber que tinha sido um propósito que Deus havia mantido em segredo até então.”

Os espíritos malignos foram forçados a conhecer o poder de Deus… e isso eles têm de continuar conhecendo através da vida do povo de Deus, que se chama Igreja. Por um lado este grupo, este ajuntamento, esta assembléia que é a Igreja apresenta toda a debilidade das ovelhas, de um povo que tem de depender total e exclusivamente do seu grande Pastor.

Ela em si não apresenta nenhuma virtude, nem vida, pois todo o poder e toda a autoridade que, por outro lado, ela tem, pertencem àquele que é a sua Cabeça, Jesus Cristo. E é nela, na Igreja, que a multiforme sabedoria de Deus se torna conhecida.

A Igreja em assembléia (em culto de celebração) e em diáspora (espalhada durante a semana) é a testemunha do poder, da extraordinária criatividade e da multiforme sabedoria de Deus, demonstrados de um modo absolutamente coerente.

A Igreja é também a expressão do Cabeça, que é aquele que é absolutamente capaz, inteligente, criativo, amoroso, misericordioso e coerente, Jesus Cristo. Ele age totalmente fora dos nossos parâmetros e medidas. Ele fica fora daquilo que normalmente um ser humano espera, acima de qualquer avaliação humana.

E, assim, até o tempo aparentemente perdido pelo pecador antes de converter-se, o Senhor reverte a situação de tal forma que ele aproveita o tempo perdido para tirar a lição mais profunda para a pessoa e para os que a rodeiam. Da vida massacrada pelo pecado, ele faz um monumento da demonstração do poder de Deus, da sua misericórdia e da sua graça.

Os Gentios Também São Herdeiros

O apóstolo Paulo assusta-se diante de uma revelação até agora oculta:

          “…a saber, que os gentios são co-herdeiros, membros do mesmo corpo e co-participantes da promessa em Cristo Jesus por meio do evangelho.” (Ef 3:6)

E a ele o apóstolo Paulo, que a si se refere como o menor de todos os santos, “foi dada esta graça de pregar aos gentios o evangelho das insondáveis riquezas de Cristo”.(Efésios 3:8 

          E, assim, “manifestar qual seja a dispensação do mistério, desde os séculos, oculto em Deus, que criou todas as coisas, para que, pela igreja, a multiforme sabedoria de Deus se torne conhecida, agora, dos principados e potestades nos lugares celestiais, segundo o eterno propósito que estabeleceu em Cristo Jesus, nosso Senhor. ” (Efésios 3:9-11)

A Bíblia Amplificada diz: “Também para iluminar todos os homens e esclarecer qual é o plano referente aos gentios, provendo para a salvação todos os homens com o mistério guardado através dos séculos e ocultado até então na mente de Deus, que criou todas as coisas através de Jesus Cristo.

O propósito é que, através da igreja, a complicada, multifacetada sabedoria de Deus, em todas as suas infinitas variedades e inúmeros aspectos, possa agora ser conhecida pelos governadores angélicos e autoridades, ou seja, pelos principados e potestades nos lugares celestiais.”

          A Igreja é o prolongamento de Jesus. O Filho de Deus encarnou-se e esteve em nosso meio. E tudo o que ele fez, fez orientado por Deus, ouvindo o Espírito, sendo guiado pelo Pai, pois ele disse que nunca nada fez por si só. Ele de si mesmo nada fazia, mas via o que o Pai estava fazendo.

E a Igreja deve ser a expressão corporativa do que é Jesus, sendo o lugar em que acontecem as coisas mais extraordinárias, fora da normalidade. É o lugar onde o criminoso se torna um homem de bem, sendo transformado por Deus, indo agora aventurar-se a viver uma nova vida, dentro de uma perspectiva totalmente diferente.

É o lugar onde o drogado é restaurado e apaixona-se pela ideia de alcançar aqueles que ainda se acham no desespero da escravidão das drogas. E o lugar onde a família destruída e separada se reconstitui, depois de uma cura e uma reconciliação.

A Igreja é o lugar onde os casais em constantes brigas voltam a encontrar o sentido de viverem juntos, porque foram tocados pelo amor recriador e renovador de Deus.

É o lugar em que um empresário soberbo, arrogante, que chegava a idolatrar a si mesmo como o mais íntegro, o mais honesto, o mais capaz, o mais criativo, o mais inovador, quebranta-se na presença de Deus, tomando consciência de quão louco tinha sido em todos aqueles anos, quando viveu de modo independente, declarando não necessitar de Deus.

E, como conseqüência desse impactante encontro com o autor da vida, a arrogância desaparece para dar lugar à humildade e à mansidão que espelham o novo Senhor a quem ele começa a seguir.

Sim, ela é o lugar em que um pai-de-santo, que tinha vivido mais de vinte anos servindo a inescrupulosas entidades, separando casais, ajuntando amantes, destruindo famílias, roubando fortunas, incapacitando empresários e executivos, enviando homens e mulheres ao poço da depressão e da enfermidade, chega à conclusão de que ele não foi nunca tão esperto como pensava, e que não teve nenhuma vantagem como se envaidecia pois, ao enganar muitas pessoas com suas adivinhações e previsões mentirosas, na realidade ele havia se transformado num grande enganado.

E conclui que tinha se deixado tornar-se uma marionete e um robô dos demônios, uma vítima de Satanás, que o usou, que o maltratou, que o humilhou, que o massacrou e que por fim o destruiria e lhe traria a morte eterna. Mas ele só foi capaz de tomar consciência da sua terrível e enganosa condição de perdição porque o Espírito Santo usou a palavra muito simples de alguém que lhe disse: “Homem, você não serve a Deus, mas sim ao diabo; se continuar como está, você vai para o inferno.”

A conseqüência dessa  descoberta é o  profundo arrependimento que se seguiu, levado pela bondade de Deus, transforma-o num fervente seguidor de Jesus, transforma-o em alguém que, assumindo a postura de um guerreiro, agora o que mais deseja é ajudar as pessoas a abrir os olhos para essa realidade oculta e camuflada da magia, da adivinhação e da feitiçaria.

Os principados e potestades têm que admitir que eles o perderam para sempre. Pois certamente queriam fazer dele um grande divulgador dos seus enganos, mas agora são forçados a admitir que existe um nome acima de todos os outros nomes: Jesus Cristo de Nazaré, e que este é a própria sabedoria de Deus que foi encarnada.

Na Igreja até um Bandido Pode Ser Recebido

A igreja é o lugar que recebe até mesmo bandidos, como foi o caso de um jovem que se envolveu com o crime, com o assassinato, tendo feito 44 pactos de sangue com o próprio diabo.

Ele tinha sido líder de levantes dentro da FEBEM, num dos quais mobilizou mais de 250 jovens para criar uma grande confusão, colocando em fuga um grande número de jovens detentos. Mas Deus tinha marcado um encontro com ele. Isso aconteceu um dia através da leitura de uma Bíblia jogada na própria unidade da FEBEM, onde ele estava.

Com curiosidade ele a pegou e começou a ler a Palavra de Deus. E a Palavra foi falando com ele profundamente, convencendo-o do pecado, da justiça e do juízo de Deus, e assim ele se transformou num grande adorador do Senhor.

Vou contar-lhe a história desse jovem:

Ele morava nas ruas e andava sem rumo, pois tinha sofrido  uma profunda rejeição da parte do pai, que o abandonou com a mãe. Até a sua família cooperava para que ele fosse “bom” no crime. Seu coração era cheio de ódio. Ele queria vingar-se do pai que o abandonara.

Nunca havia recebido um só abraço dele, nem uma palavra de carinho. E assim ele se aventurou no mundo do crime. Mas, sem saber de onde, ou como, ele começou a ouvir vozes que lhe diziam: “Vá pela rua tal, entre à esquerda na primeira travessa e, no final da rua, você encontrará um homem com uma mala. Pode assaltar, porque ela está cheia de dinheiro.”

Ele foi familiarizando-se com aquela voz. Ela parecia interessar-se por ele. Era, no início, divertido ouvi-la; afinal, ela lhe oferecia dinheiro… Depois a mesma voz o orientava em como conseguir armas, drogas… que coisa boa! Ele era o dono da situação. Mas o seu coração continuava cheio de ódio e amargura.

Não demorou muito, porém, e ele foi preso, por ter assassinado várias pessoas. Sendo menor, foi parar na FEBEM. Ali ele se envolveu com o pessoal “da pesada”. Começou a falar mais alto e viu que os outros concordavam.

Descobriu que poderia liderá-los numa fuga, sabendo que a grande maioria queria sair de lá. Havia um descontentamento crescente pelos maus-tratos dos funcionários que os deixavam em ponto de bala. Entrou em contato também com a turma que usava de magia e tinha contatos com espíritos que lhe diziam o que fazer na hora da necessidade. Fez vários pactos com essas entidades.

Uma voz lhe dizia que ele tinha que tomar sangue para ter proteção em tudo o que fizesse e que assim tudo estaria sob controle.

Foram os sofrimentos e as situações insuportáveis o levaram a procurar as forças da feitiçaria e do ocultismo. Assim, com os poderes sobrenaturais de Lúcifer, ele verificou que não era difícil levantar um motim e provocar um levante com os seus subordinados para fazer o que quisesse. Ele chegou a liderar uma divisão de mais de 250 adolescentes.

Mas a multiforme sabedoria de Deus fez com que esse rapaz, que havia derramado sangue, que havia amotinado os jovens dentro das divisões da FEBEM, se encontrasse com Jesus.

Foi uma caminhada longa, porque muitos ministérios tiveram que se dispor e trabalhar com ele em sua libertação. Mas, depois de várias ministrações, confrontos com demônios e sessões de cura interior e libertação, o rapaz começou a sentir dentro de si o amor de Deus e, convencido desse amor, começou uma firme caminhada, para tornar-se um verdadeiro discípulo.

No processo de sua libertação muitas vezes pensou em voltar para o mundo do crime. Havia horas em que deixava de acreditar que o amor de Deus poderia alcançá-lo, diante da sua condição de tão grande pecador, tão horrível, tão perigoso e tão marcado, desde o ventre, para a maldade, para o ódio, para o crime e para a violência.

Mas o amor de Deus venceu tudo isso através de pessoas que o adotaram como alguém digno de ser amado, aceito e recebido. Muitas vidas foram mobilizadas para ajudá-lo. Alguns ministérios foram convocados, para que ele pudesse passar por libertação: alguns trabalharam na área do arrependimento, confissão e quebra de vínculos, enfrentando as mais grotescas manifestações de demônios.

No meio do processo de libertação, muitas vezes ele ouvia a voz do diabo dizendo-lhe que saísse dali correndo, para beber sangue, seja do seu pulso ou seja do pescoço de um ganso que antes ele mesmo rasgava para receber forças sobrenaturais; aquela voz lhe dizia até mesmo para matar os que estavam trabalhando na sua libertação.

Ninguém foi ferido, pois existe uma proteção sobrenatural de Deus sobre os ministradores. Mas ele deu muito trabalho. Foram quebrados os 44 pactos que ele fizera, sem nenhuma manifestação dos demônios, e ele foi acompanhado pelos ministradores em sua integração de volta à sociedade.

Os Principados e potestades tinham planejado fazer desse jovem um grande aliado seu para aterrorizar sociedade, para trazer caos e destruição. É claro, eles vieram para roubar, matar e destruir.

Mas a multifacetada, multiforme sabedoria de Deus manifestou-se com a sua infinita criatividade, com o seu majestoso poder, com a sua autoridade final, com o seu perfeito amor e com a sua eterna misericórdia para salvá-lo, libertá-lo e fazer dele um discípulo de Jesus.

Os Principados e potestades foram forçados a tomar conhecimento de tudo isso, tendo que ficar calados e em plena concordância com o que Deus estava fazendo, vendo mais uma vez a expressão da multifacetada e infinitamente diversificada sabedoria de Deus.

Sim, não importa onde a pessoa tenha estado, nem que pactos e alianças tenha feito com ídolos, com demônios e com principados. Os governadores malignos do mundo espiritual são obrigados a tomar conhecimento da perfeição do amor de Deus, da eternidade da sua misericórdia, da imutabilidade da sua fidelidade que age na pessoa desesperadamente perdida e condenada, para tornar-se possuidora dos mais altos privilégios como filho de Deus.

Os anjos caídos da alta hierarquia são obrigados a constatar que tudo que eles roubaram, destruíram e massacraram Deus devolve, fazendo com que a perda, a separação e a aparente maldição transformem-se num bem muito maior e inimaginável para a pessoa que agora ama apaixonadamente o Senhor e cuja vida está dentro dos propósitos de Deus.

A conversão e a libertação de vidas tais como a desse jovem, vidas tão incrivelmente desesperadas, demonstram de fato aos Principados e potestades a multiforme sabedoria de Deus.

Jesus É Cabeça dos Principados E Potestades

Dentro deste contexto de Igreja e dos principados, o nosso Cabeça, Jesus, é também cabeça dos principados e potestades:

          “Também, nele, estais aperfeiçoados. Ele é o cabeça de todo principado e potestade.” (Cl 2:10)

Nada acontece no mundo dos poderes das trevas que Jesus Cristo não esteja permitindo. Ele deu tempo e espaço para eles agirem e o seu final será o lago de fogo. Todos eles têm de pedir permissão a Jesus Cristo de Nazaré para agir e fazer as suas obras.

Por isso, a Igreja recebeu de Jesus autoridade não apenas para declarar a sabedoria infinita e multifacetada de Deus através da sua vida simples do dia-a-dia, como também recebeu autoridade para a exercer sobre todos os principados e potestades. Por isso Jesus disse aos seus enviados:

          “Eis aí vos dei autoridade para pisardes serpentes e escorpiões e sobre todo o poder do inimigo, e nada absolutamente vos causará dano.” (Lc 10:19)

A Igreja tem autoridade sobre os poderes das trevas não apenas no sentido de libertar os cativos de Satanás. O que está descrito em Isaías 61, como ministério de Jesus Cristo, é na realidade o ministério da Igreja. Assim, é isto que a Igreja faz em relação aos principados e potestades:

          “… pregar boas-novas aos quebrantados,… curar os quebrantados de coração,… proclamar libertação aos cativos e…pôr em liberdade os algemados;… apregoar o ano aceitável do Senhor e o dia da vingança do nosso Deus;… consolar todos os que choram. “(Is 61:1-2)

Sim, a Igreja é usada pelo Senhor para libertar os cativos de Satanás, abrir as prisões aos aprisionados espirituais, curar os feridos de coração e ainda curar as enfermidades. Tudo isso faz parte de uma luta espiritual.

A Igreja exerce a autoridade sobre os poderes das trevas, autoridade esta que lhe foi outorgada por Jesus. De fato, Jesus disse que aqueles que cressem nele fariam as obras que ele fez, e que fariam obras maiores do que as suas (João 14:12) .

Isso está acontecendo, literalmente. Pois a Igreja não apenas tem expulsado demônios, mas também os tem amarrado, e tem exercido autoridade sobre os ventos e tufões. A Igreja, na pessoa de alguns líderes de visão, tem exercido autoridade sobre a terra e quebrado as suas maldições.

Já no século XVIII João Wesley disse: “O mundo é a minha paróquia.” Pois ele olhava para o mundo; o objetivo do seu ministério não era cuidar apenas de uma pequena congregação.

Ele olhava para o mundo. O mundo era o alvo da sua pregação. Assim muitos pastores hoje estão olhando para a cidade. O seu alvo é alcançar a cidade; sonham em ver a sua cidade transformada pelo poder de Deus.

George Otis Jr. disse, numa de nossas conferências internacionais, que Deus não nos irá cobrar pela nossa congregação, mas sim pela nossa cidade. Assim, é assustador ver que de fato Deus honra, quando alguém, dirigido por Deus, toma autoridade sobre uma cidade e comanda que ela mude e se transforme.

Claro que existe todo um procedimento para que isso aconteça. Mas Jesus nos deu a autoridade de confrontar principados e potestades de alta hierarquia que, muitas vezes, estão sobre uma região geográfica, sobre um território, ou sobre uma cidade.

No mundo inteiro, de acordo com George Otis Jr., há mais de mil projetos de transformação de cidades. No Brasil apenas, pelo que sabemos, são vinte, aproximadamente. Isso é encorajador. Por isso, o que o profeta Isaías diz no capitulo 61, no versículo 4, é algo muito pertinente. Os que se livraram do cativeiro do diabo agora, por sua vez, vão fazer o seguinte:

          “Edificarão os lugares antigamente assolados, restaurarão os de antes destruídos e renovarão as cidades arruinadas, destruídas de geração em geração. “(Is 61:4)

A Igreja está declarando aos principados e potestades a multifacetada sabedoria de Deus de maneira a deixá-los estupefatos. É como vimos em Efésios 3:10, cuja versão amplificada vou transcrever de novo, encerrando este capítulo:

          “O propósito é que, através da igreja, a complicada, multifacetada sabedoria de Deus, em todas as suas infinitas variedades e inúmeros aspectos, possa agora ser conhecida pelos principados e potestades nos lugares celestiais.”

Sobre o autor

Wilson Lemos

Wilson Lemos

Meu nome e Wilson lemos,
sou evangelista formado em bacharel em teologia pelo instituto de teologia
SETAD.

Sou casado e tenho por missão ajudar você a crescer espiritualmente em conhecimento.

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