Estudos Bíblicos

O Testemunho do Próprio Deus

O Testemunho do Próprio Deus
Wilson Lemos
Escrito por Wilson Lemos

“Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo.” Esta voz, vinda do céu, nós a ouvimos quando estávamos com ele no monte santo. (2Pe 1.17b-18)

Da mesma forma que um advogado já provou que seu caso está acima de qualquer dúvida, nosso Senhor acrescenta o testemunho audível do Deus Pai à impressionante evidência acumulada de quem Ele realmente é. Por três vezes durante a vida de Cristo, o próprio Deus falou do céu para comprovar a identidade de seu Filho.

Várias vezes no Velho Testamento, Deus tinha se comunicado com os israelitas para instruí-los ou reafirmar-lhes sua presença entre eles. A ocasião mais famosa foi quando Deus deu os Dez Mandamentos a Moisés, escrevendo-os em seguida em tábuas de pedra. Antes disso, Ele havia falado com Moisés através da sarça ardente e, mais tarde, falou ao Faraó pela boca de seu servo Moisés. Em cada uma dessas ocasiões, Deus usou seu testemunho audível em fases extremamente importantes na vida de Israel.

Do mesmo modo, em três ocasiões durante a vida de nosso Senhor, a voz do Deus Pai foi ouvida nitidamente do céu. Vamos examinar cada uma delas, em seqüência, pois elas também ocorreram em ocasiões importantes, proclamando em cada uma delas que Jesus era o “Filho de Deus”.

A Voz de Deus no Batismo de Jesus

Batizado Jesus, saiu logo da água, e eis que se lhe abriram os céus, e viu o Espírito de Deus descendo como pomba, vindo sobre ele. E eis uma voz dos céus, que dizia: “Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo “ (Mt 3.16-17; veja também Mc 1.9-11 e Lc 3.21-22).

Já havíamos examinado anteriormente o batismo de Jesus por João Batista, chamando especial atenção sobre a descida do Espírito Santo em forma de uma pomba que pousou no ombro de Jesus, identificando-o como “o Filho de Deus”. Não enfatizamos então o fato significativo da presença simultânea da trindade naquele evento: Cristo, que foi batizado; Deus Espírito Santo, que identificou Jesus de Nazaré como o Messias; e Deus Pai, cuja voz foi ouvida desde o céu.

Esse acontecimento foi tão significativo que foi registrado pelos quatro evangelhos. Mateus e João foram testemunhas oculares, Marcos talvez tenha sido e Lucas relatou aquilo que tinha ouvido de testemunhas oculares (Lucas 3.21-22).

Observe que os três escritores dos evangelhos sinópticos usaram a mesma expressão básica: “E eis uma voz dos céus, que dizia: ‘Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo’.” Jesus é identificado não somente pelo Espírito Santo em forma de pomba, mas também pela voz solene do próprio Deus, reconhecendo Jesus de Nazaré como seu único Filho e acrescentando: “em quem me comprazo.” Este fato representa a confirmação do testemunho sobre a santidade de Jesus, desde o nascimento até o momento deste evento, que Lucas diz ter ocorrido quando Jesus tinha trinta anos (Lucas 3.23).

Quem realmente ouviu este testemunho? Não sabemos. Certamente João Batista, junto com os discípulos e alguns outros crentes. Multidões de pessoas se aglomeravam junto ao rio Jordão esperando para serem batizadas por João, e muitas se tornaram crentes sinceros. Entretanto, sabemos pelas perguntas que se seguiram que alguns não creram. Evidentemente, eles não ouviram a voz, não a compreenderam ou, então, não a reconheceram como vinda de Deus.

Apesar disso, as Escrituras afirmam que Deus Pai falou do céu para identificar seu filho diante de muitas testemunhas. Várias dessas testemunhas confirmaram esse fato no relato do evangelho.

A Voz de Deus na Transfiguração

Passados seis dias, Jesus levou Pedro, Tiago e seu irmão João a um alto monte, transfigurando-se diante de seus olhos. Seu rosto brilhou como o sol, e suas roupas tornaram-se brancas como a luz.

E eis que de repente surgiram Moisés e Elias, falando com Jesus. Então Pedro disse: “Senhor, bom é estarmos aqui; se queres, farei aqui três tendas; uma será tua, outra para Moisés, outra para Elias” Enquanto ele ainda estava falando, eis que uma nuvem luminosa os envolveu; e repentinamente uma voz veio da nuvem dizendo: “Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo; a Ele ouvi.” E quando a ouviram os discípulos, caíram de bruços tomados de grande medo.

Aproximando-se deles, tocou-lhes Jesus, dizendo: “Erguei-vos, e não temais!” Então eles, levantando os olhos, a ninguém viram senão só a Jesus. (Mt 17.1-8)

A transfiguração foi um dos acontecimentos mais importantes da vida de Cristo, sendo a única vez em que Ele se manifestou fisicamente dessa maneira diante de testemunhas. Seus três discípulos mais íntimos, Pedro, Tiago e João, tiveram a oportunidade única de testemunhar sua natureza divina brilhando em seu corpo carnal. Durante sua vida, Jesus foi plenamente homem e plenamente Deus, visto e conhecido por seus discípulos. Nesta ocasião especial Ele foi visto sob uma luz peculiar: Deus em forma humana — sua natureza divina brilhando sobre sua pele humana.

Tanto Lucas como Marcos também incluíram este episódio em seus evangelhos, enfatizando sua importância. Lucas acrescenta: “a aparência do seu rosto se transfigurou e suas vestes resplandeceram de brancura” (Lucas 9.29), refletindo o caráter sobrenatural do evento. Os três autores nos dizem que Moisés e Elias apareceram ao lado de Jesus naquele lugar glorioso, atualmente conhecido como o Monte da Transfiguração.

Somente Lucas acrescenta que eles falaram “da sua partida, que ele estava para cumprir em Jerusalém” (Lucas 9.31). Séculos atrás ambos, Moisés e Elias, preanunciaram que o Messias vindouro sofreria pelos pecados do povo, cumprindo todos os requisitos sacrificiais pelos pecados do mundo inteiro.

Entretanto, os discípulos não estavam preparados para considerar a idéia de que Jesus logo iria ser crucificado em cumprimento do plano redentor de Deus. Pedro havia demonstrado isto pouco tempo antes, quando reprovou Jesus por afirmar “que lhe era necessário seguir para Jerusalém e sofrer muitas coisas dos anciãos, sacerdotes e escribas, ser morto e ressuscitado no terceiro dia” (Mateus 16.21). Pedro não foi capaz de entender essa afirmação de Jesus, e este lhe responde rapidamente: “Arreda! Satanás; tu és para mim pedra de tropeço, porque não cogitas das coisas de Deus, e, sim, das dos homens” (Mateus 16.23).

Agora, porém, naquele “monte santo”, Pedro, Tiago e João evidentemente ouviram Jesus conversando sobre sua morte com Moisés e Elias. Talvez eles não tenham compreendido o plano divino para Jesus, mas de algum modo reconheceram Moisés e Elias, pois Pedro fez aquela ridícula sugestão: “Se queres, farei aqui três tendas; uma será tua, outra para Moisés, outra para Elias.”

Para compreender o significado real deste evento, é preciso lembrar que Moisés e Elias eram as duas grandes figuras da história de Israel. Eles foram grandes servos de Deus que se destacaram não apenas pelos seus ministérios junto ao povo mas também pelos registros escritos que deixaram.

Naqueles dias, quando um israelita se referia a “Moisés e Elias”, estava não apenas se referindo aos acontecimentos das vidas desses dois homens, mas (no caso de Moisés) aos primeiros livros da Bíblia, e (no caso de Elias) aos profetas que escreveram no “espírito de Elias”. Jesus reconheceu isto em Lucas 16, quando disse ao homem rico que não enviaria Lázaro à casa paterna do morto para alertar seus irmãos a fugirem do futuro dos não salvos, pois “eles têm Moisés e os profetas; ouçam-nos” (Lucas 16.2).

Apesar de esses profetas terem sido grandes homens, o texto deixa claro que eles foram ofuscados pela magnitude do Filho de Deus. Lemos que uma “nuvem luminosa os envolveu” (semelhante a muitas nuvens do Velho Testamento que escondiam a presença do próprio Deus) e, então, saiu uma voz da nuvem dizendo: “Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo; a ele ouvi.” Não admira, pois, que os discípulos quando ouviram a voz “caíram de bruços, tomados de grande medo”.

Eles simplesmente ouviram e reconheceram a voz do Deus todo-poderoso! E embora essa voz não tivesse mencionado os nomes de Moisés e Elias, ela exaltou o homem que eles conheciam como Jesus de Nazaré.

No Monte da Transfiguração, assim como no rio Jordão, Deus identificou Jesus como seu Filho e expressou seu prazer diante dele. Ele estava dizendo aos discípulos e a todos os crentes futuros que ouvissem Jesus. Isto significava que, embora as palavras de Moisés e Elias (que então representavam 39 livros do Velho Testamento) fossem dignas de todo respeito, o povo deveria colocar as palavras de Jesus acima de tudo.

Pedro nunca esqueceu esse encontro sublime. Observamos no capítulo seis que, já velho e prestes a ser martirizado, o apóstolo usou seu tempo para relatar esse maravilhoso acontecimento aos novos crentes sob seu cuidado. Vale a pena repetir seu testemunho:

Porque não vos demos a conhecer o poder e a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, seguindo fábulas engenhosamente inventadas, mas nós mesmos fomos testemunhas oculares da sua majestade, pois ele recebeu, da parte de Deus Pai, honra e glória, quando pela Glória Excelsa lhe foi enviada a seguinte voz: “Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo.” Ora, esta voz, vinda do céu, nós a ouvimos quando estávamos com ele no monte santo. (2 Pe 1.16-18)

Poderia alguma coisa ser mais evidente? Pedro ouviu a voz de Deus, deu testemunho de sua mensagem e, assim, ressaltou a divindade de Jesus, o Cristo.

A Voz de Deus Quatro Dias Antes da Crucificação

“Pai, glorifica o teu nome. “Então veio uma voz do céu: “Eu já o glorifiquei, e ainda o glorificarei “A  multidão, pois, que ali estava, tendo ouvido a voz, dizia ter havido um trovão. Outros diziam: “Foi um anjo que lhe falou. “Então explicou Jesus: “Não foi por mim que veio esta voz, e, sim, por vossa causa. Chegou o momento de ser julgado este mundo, e agora o seu príncipe será expulso. E eu, quando for levantado da terra, atrairei todos a mim mesmo. “Isto dizia, significando de que gênero de morte estava para morrer. (Jo 12.28-33)

A voz de Deus foi ouvida do céu pela terceira vez depois que Jesus se apresentou à nação de Israel no dia conhecido como Domingo de Ramos. Depois de ter sido rejeitado pelos judeus, Ele sabia que sua morte na cruz estava próxima.

Naquela semana alguns gregos pediram a Filipe que lhes apresentasse Jesus. Sem dúvida alguma, a multidão era composta na maioria de judeus, mas alguns estudiosos bíblicos admitem que esses gregos estavam presentes porque Deus estava preparando os gentios para reconhecerem que seu Filho estava perto de morrer sacrificialmente, não somente pelos pecados de Israel, mas pelos pecados do mundo todo.

O apóstolo João é o único a registrar este incidente (João 12.20-33). Ao pensar na proximidade de sua morte, Jesus confessa: “Minha alma está angustiada.” Isto foi ilustrado dois dias depois, quando, no Jardim do Getsêmani, “seu suor se tornou como gotas de sangue caindo sobre a terra” (Lucas 22.44). Porém, embora, sua alma estivesse “angustiada”, Ele não recuou diante da morte indigna que estava para sofrer. Em vez de se desesperar, Ele declarou: “Precisamente com este propósito vim para esta hora” (João 12.27).

Então Jesus orou: “Pai, glorifica o teu nome”, e a voz de Deus respondeu: “Eu já o glorifiquei, e ainda o glorificarei” (João 12.28) — confirmando, assim, que já havia falado antes e que novamente o glorificaria por meio da ressurreição após sua aparente derrota na cruz. O povo, tanto os crentes como os descrentes, reconheceu que a voz era sobrenatural. Jesus identificou a fonte daquela voz e declarou que tinha vindo para o bem deles. Por que para o bem deles?

Naqueles dias os principais da sinagoga e os fariseus estavam clamando contra Ele e acusando-o de ser um impostor. Ele sabia que seria insultado e depois crucificado e que muitos se afastariam desiludidos durante os três dias que permaneceria no túmulo. A voz de Deus o glorificou para que os representantes de toda a nação cressem nele. Jesus afirmou: “E eu, quando for levantado da terra, atrairei todos a mim mesmo” (João 12.21), indicando, assim, o tipo de morte que ia sofrer.

Por fim, Jesus apelou ao povo: “Ainda por um pouco a luz está convosco. Andai enquanto tendes a luz, para que as trevas não vos apanhem… Enquanto tendes a luz, crede na luz, para que vos torneis filhos da luz” (João 12.35-36). Eleja havia se apresentado como “a luz do mundo” e agora os conclamava a se tornarem crentes antes que a crucificação afligisse as almas dos crentes e dos descrentes.

Qual a reação da multidão? “E, embora tivesse feito tantos sinais na sua presença, não creram nele”. Esta trágica observação prova que os descrentes estavam presentes naquela ocasião. Eles ouviram a voz de Deus, testemunharam os milagres de Jesus e, apesar disso, se recusaram a crer. Felizmente, nem todos agiram assim.

Atualmente, podemos fazer essa mesma escolha: crer ou descrer. A evidência hoje é exatamente a mesma daquela época.

As pessoas — tanto hoje como há dois mil anos — não têm desculpa, pois têm o testemunho da voz do próprio Deus confirmando seu Filho.

Uma Categoria Própria

A voz de Deus ressoou no batismo de seu Filho. Os discípulos a ouviram no “monte santo” da transfiguração. E finalmente essa mesma voz ecoou nos ouvidos do público pouco antes da crucificação de Jesus.

Deus não apenas identificou audivelmente, por três vezes, Jesus como seu Filho, mas também elevou seus ensinamentos a uma categoria própria. O autor de Hebreus escreveu: “Havendo Deus, outrora, falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, nestes últimos dias nos falou pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas, pelo qual também fez o universo” (Hebreus 1.1-2).

Jesus ocupa, indiscutivelmente, uma categoria própria!

Sobre o autor

Wilson Lemos

Wilson Lemos

Meu nome e Wilson lemos,
sou evangelista formado em bacharel em teologia pelo instituto de teologia
SETAD.

Sou casado e tenho por missão ajudar você a crescer espiritualmente em conhecimento.

Deixe um comentário