Estudos Bíblicos

O Joio e o Trigo, O Falso e o Verdadeiro

O Joio e o Trigo, O Falso e o Verdadeiro
Wilson Lemos
Escrito por Wilson Lemos

Muitos de nós, cristãos, que entendemos o coração do Pai, choramos e lamentamos ao ver coisas estranhas acontecendo em grande escala dentro das igrejas. Rumores (e fatos) de quedas, de adultérios, de maracutaias, de corrupção dentro da igreja têm entristecido o coração dos verdadeiros seguidores e discípulos de Cristo.

Muitos discípulos ainda novos na fé ficam confusos e não entendem por que aqueles em quem depositaram tanta confiança de repente cometem pecados terríveis, pecados que foram condenados pela própria boca desses pregadores e líderes.

Vivemos momentos de confusão. Alguns chegam a comentar que esperavam ver dentro de igrejas pessoas autenticamente convertidas, e estão surpresos ao constatarem que isso não é verdade.

O Joio e o Trigo

Quando Jesus falou da semente legítima, boa e perfeita com que seria semeado campo, também não deixou de se referir à má semente, o joio.

E Jesus deixa claro que é o inimigo quem semeia o joio. Esta é uma planta extremamente parecida com o trigo e dificilmente é reconhecido antes de produzir o grão. Mas ele nunca produzirá. Claro, ele não foi criado para dar fruto, mas apenas para ter a aparência de trigo, enquanto crescem juntos.

O joio é como aqueles que têm apenas a aparência de alguma coisa, mas que nunca mostram qual é a sua verdadeira natureza, o seu verdadeiro caráter e a sua realidade. Há muitas coisas no mundo que são assim: sendo falsas, imitam muito bem o que é verdadeiro.

Onde existe o verdadeiro existe o falso. Se existe uma genuína operação do Espírito Santo, haverá também uma falsa operação, que tenta ser semelhante à verdadeira e genuína operação da parte de Deus.

Onde existem verdadeiros mestres e profetas de Deus, haverá também os falsos. Até com respeito a pedras preciosas encontramos essa situação. Há diamantes e brilhantes verdadeiros, mas há os falsos, que se fazem passar por verdadeiros. Em tudo — perfumes, grifes de roupas, dinheiro, quadros, e em tantos outros artigos — há o verdadeiro e há também o falso, a sua contrafacção.

De onde vem o joio, aquilo que é falso, que é uma imitação, uma contrafacção? Quem foi que teve essa idéia de inventar o falso? Claro que ela vem do inferno, e o seu autor é o diabo.

Jesus nos preveniu de que iríamos ter problemas no meio do seu povo. Haveria o falso e o verdadeiro em diferentes níveis, em crentes, em mestres, em profetas e em “cristos” (pessoas com unção). E, em nossa caminhada pelo caminho estreito, em direção ao Reino dos Céus, ele nos previne, que nem tudo que brilha é ouro.

A palavra de Jesus sempre foi: “acautelai-vos.” (Mt 7:15; Mt 16:6; Lc 21:34.) E os apóstolos também nos exortaram nesse sentido (Paulo: Fp 3:2; Pedro: 2 Pe 2:1-2 e 3:17; João: 2 Jo 7-8).

Jesus sempre tentou mostrar a realidade dos fatos e ele nunca nos enganou no sentido de que, para entrar no reino de Deus, o caminho seria fácil e largo e sem nenhum problema.

Pelo contrário, ele sempre nos deu a visão de uma realidade cheia de problemas e dificuldades, porque estamos vivendo numa situação de guerra contra aqueles que querem matar, roubar e destruir a criação de Deus. Jesus nos disse:

          “O reino dos céus é semelhante a um homem que semeou boa semente no seu campo; mas, enquanto os homens dormiam, veio o inimigo dele, semeou o joio no meio do trigo e retirou-se. E, quando a erva cresceu e produziu fruto, apareceu também o joio. Então, vindo os servos do dono da casa, the disseram:       — Senhor, não semeaste boa semente no teu campo? Donde vem, pois, o joio?

          Ele, porém, lhes respondeu:

Um inimigo fez isso. Mas os servos the perguntaram:

Queres que vamos e arranquemos o joio?

— Não! replicou ele, para que, ao separar o joio, não arranqueis também com ele o trigo. Deixai-os crescer juntos até à colheita, e, no tempo da colheita, direi aos ceifeiros: ajuntai primeiro o joio, atai-o em feixes para ser queimado; mas o trigo, recolhei-o no meu celeiro.” (Mt 13:24-30)

Por isso, junto com o povo de Deus, há a presença do joio. O joio é a má semente, plantada pelo inimigo, que crescerá junto com o trigo e que não deve ser arrancado antes do tempo. O joio somente será extirpado no tempo da colheita, para ser lançado ao fogo.

O joio pode estar no meio do povo de Deus como falsos cristãos, que não estão para buscar Deus e caminhar para a vida eterna, mas que estão apenas para perturbar a vida da igreja.

A sua existência é permitida por Deus para a própria santificação do seu povo, para que ele possa exercer discernimento, longanimidade e para que possa crescer no amor. As fraquezas e os defeitos das pessoas nos fazem mais maduros por que nos levam a crescer na fé, diante dos problemas criados.

E, assim, os verdadeiros seguidores de Cristo são obrigados a exercer discernimento, para poderem separar o que é de Deus do que não é. Os cristãos verdadeiros são desafiados a provocar uma mudança nessas vidas pela atuação sobrenatural de Deus, através da intercessão.

Como disse, Jesus constantemente nos exortou com as palavras “acautelai-vos”, porque sabia que no mundo e no meio do povo de Deus haveria o joio, semeado pelo inimigo, destinado a conviver junto com o trigo até nos últimos dias ser recolhido pelos anjos e levado para ser queimado.

Certamente, Deus, na sua infinita misericórdia e sabedoria, tem feito uso do joio desafiar e fazer crescer o seu povo, tornando-o sagaz como a serpente e não apenas simples e puro como a pomba. O que se tem verificado é que os cristãos têm se tornado simplórios e ignorantes, cegos e ingênuos como bebês. Por isso Oséias diz que o povo de Deus está sendo destruído pela falta de conhecimento (Oséias 4:6).

O Fermento de Fariseus

Uma das palavras de Jesus no sentido de que nos acautelássemos foi:

          “Vede e acautelai-vos do fermento dos fariseus e dos saduceus.” (Mt 16:6)

Jesus aqui está tentando prevenir contra a doutrina dos fariseus e saduceus, e contra a hipocrisia, o orgulho e a perversidade deles. Toda falsidade advém da mesma fonte, o pai da mentira. A pessoa torna-se falsa para esconder-se, aparentando o que não é. E apresenta uma falsidade para obter vantagens, diante de situações de desespero, de engano, de medo e de perigo.

Jesus nos disse ainda, com respeito aos fariseus:

          “Fazei e guardai, pois, tudo quanto eles vos disserem, porém não os imiteis nas suas obras; porque dizem e não fazem” (Mt 23:3)

Ele os condenou por oprimirem o povo com regras religiosas pesadas e nunca ajudando o povo a fazê-las; por praticarem boas obras apenas para se exibirem; por gostarem de aparecer; por quererem ser honrados nos banquetes; e por fazerem questão de serem chamados de mestre.

E assim Jesus exclamou palavras de pesar contra eles (com os seus “ais”) diante da impenitência; diante da avareza; diante do zelo cego; diante do juramento leviano; diante do fato de darem um grande valor aos pormenores legalistas em detrimento dos valores reais; diante da aparência exterior; e diante da veneração hipócrita aos profetas (Mateus 23:13-31).

Quando esse espírito entra no meio do povo de Deus, no santuário do Senhor, ele parece assumir um papel mais radical e absoluto em alguém que começa a tudo querer controlar.

Os fariseus demonstravam um espírito de religiosidade, tentando aparentar fidelidade e lealdade para com os preceitos de Deus e, no entanto, a sua vida prática provava serem eles exatamente o contrário. E Jesus consegue penetrar nas motivações deles e as desnuda impiedosamente, pois eram bem diferentes das que são esperadas por Deus.

O Senhor os denunciou, sem nenhum rodeio, para alertar o povo quanto à semente e ao fermento do diabo em termos de mentira, de falsidade e de hipocrisia. A religiosidade deles, cheia de preceitos, não levaria a lugar algum, porque era vivida na força da carne, e não para agradar a Deus; era para provar para si mesmos que eles eram “bons”.

Então a mentira, a falsidade e a hipocrisia eram perpetuadas porque o povo estava sendo colocado sob um jugo de leis e preceitos com o qual era impossível conviver, valendo-se da força de vontade e da determinação do ser humano. E o resultado do conflito entre o que a lei impunha e a incapacidade do homem produzia a hipocrisia e a vida de aparência.

E aqui entra ainda o orgulho religioso ou orgulho espiritual, o pior tipo de orgulho. Pois ele advém diretamente de Lúcifer, que ousou pensar ser melhor do que o próprio Deus, desejando subir acima das nuvens de Deus, isto é, acima da glória de Deus, do Shekiná de Deus (Isaías 14:14).

Aqueles que são neófitos na fé não devem ser destacados para assumir uma responsabilidade significativa na igreja, porque nem sempre eles têm condições de resistir à tentação de se acharem os bons, melhores do que os outros, esquecendo-se de que até outro dia a sua condição era desesperadamente miserável, e que somente a graça de Deus foi que os retirou do poderio das trevas, passando eles agora a desfrutar a luz do Senhor.

Em nosso ministério fomos atacados algum tempo atrás por um enviado de Satanás, que se colocou como alguém muito especial com muitos dons, poder e autoridade. Ele fazia as coisas aparentemente mais extraordinárias em termos de libertação.

Por causa dele, um mal-estar instalou-se em nosso meio, mas ninguém sabia como definir o que era. Havia um orgulho tremendo, uma visão exacerbadamente exagerada da sua importância. Uma líder aproximou-se de mim e comentou: “Neuza, esse homem é alguém muito especial e tem uma grande unção da parte de Deus, ou o tempo vai mostrar que ele é um grande enganador.”

Muitos sabiam que havia algo muito errado, mas onde estava o erro? Pois havia um aparente zelo e muita seriedade no que se referia às coisas de Deus.

Mas, quando eu descobri que essa pessoa era um neófito e quase não tinha tido uma convivência com Deus, foi como um descortinar de algo escondido.

Iniciamos a luta com jejum e oração para removê-lo de onde estava, pois ficou claro que ele não provinha de Deus. E, como alguém depois comentou, apoiando o ato de afastá-lo do nosso meio: “Neuza, creio que quando ele sair da sua cobertura, ele vai mostrar a sua verdadeira natureza.” E assim foi.

Quando ele foi colocado definitivamente fora do nosso grupo, mostrou quem ele era de fato e começou atacar abertamente o corpo de Cristo para destruí-lo.

Há muitos cristãos vivendo o estilo de vida farisaico, porque não descobriram a graça e continuam tentando viver a vida cristã, com base na sua determinação, na disciplina e na sua força de vontade. O fermento certamente provoca contendas e divisões no meio do povo de Deus. O resultado disso é a perda da confiança e do crédito, em relação aos líderes, e assim as ovelhas certamente são espalhadas.

Ninguém consegue viver uma vida perfeita diante de Deus, a não ser pela graça de Deus. Dependemos inteiramente do Senhor. Aqueles que aparentemente conseguem viver uma vida muito disciplinada, determinada como o figurino recomenda, têm a tendência de se vangloriar e de desenvolver uma confiança própria que irá impedir uma comunhão profunda como Senhor.

São aqueles que começam a desenvolver uma confiança própria na sua justiça. Mas Deus disse que a nossa justiça é como se fosse trapo de imundícia (Isaías 64:6). Ela nada vale diante de Deus e atrapalha o caminho da verdadeira humildade.

Lobos Vorazes: Falsos Profetas e Mestres

Uma outra advertência de Jesus quanto a que nos acautelássemos, foi a seguinte:

          “Acauteíai-vos dos falsos  profetas, que se vos apresentam disfarçados em ovelhas, mas por dentro são lobos roubadores “(Mt 7:15)

Como Jesus nos mostra, também os falsos profetas têm o objetivo de destruir a igreja, o povo de Deus, criando condições que blasfemem contra o Senhor, roubando a glória que somente a ele é devida. São lobos roubadores.

O apóstolo Paulo, quando se despedia dos efésios, disse claramente:

          “Eu sei que, depois da minha partida, entre vós penetrarão lobos Vorazes, que não pouparão o rebanho. E que, dentre vós mesmos, se levantarão homens falando coisas pervertidas para arrastar os discípulos atrás deles…Portanto, vigiai. “(At 20:29-31 a)

Pelo espírito da profecia, o apóstolo sabia que, enquanto ele havia trabalhado tanto para plantar a boa semente, o inimigo também havia deixado as sementes que poderiam produzir lobos vorazes, maus obreiros e cães, para destruir a obra de Deus. De outra feita ele clamou:

          “Acautelai-vos dos cães! Acautelai-vos dos maus obreiros! Acautelai-vos da falsa circuncisão!” (Fp 3:2)

Ao falar do que poderia acontecer nos últimos dias, Jesus também preveniu os discípulos de que apareceriam os falsos mestres:

          “Pois surgirão falsos cristos e falsos profetas, operando sinais e prodígios, para enganar, se possível, os próprios efeitos. Estai vós de  sobreaviso…” (Mc 13:22-23a).

O engano estaria dos lados de fora e de dentro da Igreja. No sentido ambiental e físico, a igreja não seria um lugar seguro, isento de conflitos e de problemas. Mas no próprio seio da comunidade apareceriam pessoas com o objetivo de enganar, de afastar os fiéis da verdade e de contaminar as ovelhas.

Por isso, o apóstolo Pedro também insistiu na mesma tecla: 

          “Assim como, no meio do povo, surgiram falsos profetas, assim também haverá entre vós falsos mestres, os quais introduzirão, dissimuladamente, heresias destruidoras, até ao ponto de renegarem o Soberano Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina destruição.

E, muitos seguirão as suas práticas libertinas, e, por causa deles, será infamado o caminho da verdade; também, movidos por avareza, farão comércio de vós, com palavras fictícias; para eles o juízo lavrado há longo tempo não tarda, e a sua destruição não dorme”. (2 Pe 2:1 -3)

Os seguidores de Jesus, os discípulos, teriam de conhecer a Palavra e nela permanecer. “Aquele que permanece na Palavra do Senhor será verdadeiramente seu discípulo; e conhecerá a verdade, e a verdade o libertará” (Cf. João 8:31-32). A verdade lhe permitirá discernir o falso e a mentira.

Muitos têm se levantado como profetas. Mas quantos deles têm estado no conselho de Deus? Há falsos profetas profetizando por Baal, isto é, pessoas que se dizem profetas de Deus mas que, na realidade, estão profetizando através de um espírito de adivinhação, porque têm pacto com demônios.

Nenhum problema teríamos se isso acontecesse fora da igreja de Cristo. Mas os falsos profetas estão dentro das assim chamadas igrejas cristãs, para seduzir e anestesiar as multidões que procuram sinais e maravilhas, de forma que elas se percam e busquem apenas sinais e demonstrações de poderes estranhos, mas não o Senhor.

Temos que tomar muito cuidado para nos livrarmos das contaminações que recebemos em nossa vida antes da nossa conversão. Os verdadeiros discípulos precisam ter a percepção espiritual aguçada para ver com os olhos espirituais o que está de fato acontecendo. Precisam ter a capacidade de diferenciar o que é aparência do que é realidade.

Quanto mais o crente estiver em comunhão com o Pai, em oração, vivendo a intimidade com o seu Deus, tendo uma vida devocional produtiva, certamente ele terá capacidade de discernir o certo e o errado.

Ainda, demonstrando como este ponto é muito importante, além de Paulo e de Pedro, também o apóstolo João escreveu:

          “Amados, não deis crédito a qualquer espírito; antes provai os espíritos se procedem de Deus, por que muitos falsos profetas têm saído pelo mundo fora.” (1 Jo 4:1) 

          Porque muitos enganadores têm saído pelo mundo fora, os quais não confessam Jesus Cristo vindo em carne; assim é o enganador e o anticristo. Acautelai-vos… “(2 Jo 7-8)

A forma da piedade pode ser um meio de engano. Disso nos alerta o apóstolo Paulo ao escrever a Timóteo: “tendo forma de piedade, negando-lhe, entretanto, o poder. Foge também destes.” (2 Timóteo 3:5).

Também foi por isso que Paulo escreveu aos Colossenses:

          “Se morrestes com Cristo para os rudimentos do mundo, por que, como se vivêsseis no mundo, vos sujeitais a ordenanças: não manuseies isto, não proves aquilo, não toques aqueloutro, segundo os preceitos e doutrinas dos homens?   Pois que todas estas coisas, com o uso, se destroem.

Tais coisas, com efeito, têm aparência de sabedoria, como culto de si mesmo, e de falsa humildade, e de rigor ascético; todavia, não têm valor algum contra a sensualidade.” (Cl 2:20-23)

A luta do apóstolo Paulo era também com falsos irmãos, no meio da igreja: “Alguns indivíduos que desceram da Judéia ensinavam aos irmãos: Se não vos circuncidardes segundo o costume de Moisés, não podeis ser salvos?  (Atos 15:1)

          Estes eram judaizantes que queriam que os crentes voltassem à prática da lei, desprezando a graça. “E isto por causa dos falsos irmãos que se entremeteram com o fim de espreitar a nossa liberdade que temos em Cristo Jesus e reduzir-nos à escravidão” (Gálatas 2:47).

De qualquer forma, diante dos falsos irmãos, mestres e profetas, aquele que verdadeiramente está em Cristo é obrigado a desenvolver um dom que está entre os mais importantes e necessários nestes dias, no meio do povo de Deus: o discernimento.

Todo aquele que tem o Espírito Santo e procura crescer na comunhão com o seu Deus, enchendo-se da sua presença, terá condições de verificar quem tem comunhão no Espírito, quem realmente é de Deus, ou não.

Portanto, segundo as palavras de Jesus, e dos apóstolos Paulo, Pedro e João, nestes últimos tempos os falsos profetas, mestres, cristos e enganadores abundariam e estariam em todas as partes… tendo realmente o objetivo de destruir os próprios escolhidos de Deus, se possível fosse.

Pelos Frutos Os Conhecereis

          “Acautelai-vos dos falsos profetas, que se vos apresentam disfarçados em ovelhas, mas por dentro são lobos roubadores.

Pelos seus frutos os conhecereis. Colhem-se, porventura, uvas dos espinheiros ou figos dos abrolhos? Assim, toda árvore boa produz bons frutos, porém a árvore má produz frutos maus. Não pode a árvore boa produzir frutos maus, nem a árvore má produzir frutos bons. Toda árvore que não produz bom fruto é cortada e lançada ao fogo.

          Assim, pois, pelos seus frutos os conhecereis. Nem todo o que me diz: ‘Senhor, Senhor!’  entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus.

Muitos, naquele dia, hão de dizer-me: ‘Senhor, Senhor! Porventura, não temos nós profetizado em teu nome, e em teu nome não expelimos demônios, e em teu nome não fizemos muitos milagres?’ ‘Então, lhes direi explicitamente: ‘nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniquidade’.” (Mt 7:15-23)

É evidente que os frutos são o maior teste da natureza e da autenticidade dos mestres, profetas e pastores. Quando você verifica que, pelo ministério de alguém, as pessoas estão sendo alcançadas com o evangelho, nascendo de novo, na alegria do Espírito, dedicando-se de todo o coração a Deus, mostrando sinais de uma transformação de vida como cristãos, e crescendo na fé; e também que a pessoa tem uma vida reta diante de Deus — estas são realmente provas de que esse alguém verdadeiramente pode ser chamado de homem ou mulher de Deus.

Mas, se você vê, como resultado do ministério ou da vida de alguém, as pessoas serem apenas convencidas, simpatizantes do cristianismo, pessoas cuja conduta seja duvidosa, que apenas enchem o rol de membresia de uma igreja, mas que estão na igreja como dominadores, politiqueiros, encrenqueiros, como pessoal da “festiva”; ou se esse alguém não tem uma vida que evidencie o fruto do Espírito — devemos desconfiar desse alguém.

Assim, se um profeta, ou um ministro, tem “dons” maravilhosos de profecia ou opera sinais e maravilhas, mas a sua vida pessoal não condiz com o padrão de santidade, pureza, poder e autoridade da Palavra, certamente esse profeta tem que ser classificado como “não conhecido pelo Senhor e praticante da iniqüidade” (Mateus 7:23).

Um lobo que devorou as ovelhas

Você pode imaginar um pastor que permitiu que uma igreja fechasse e as ovelhas se espalhassem, feridas e quase destruídas, por que ele as encantou com mentiras e conseguiu ter relações sexuais com muitas delas, destruindo casamentos e famílias? Esse é um lobo com pele de cordeiro.

Estou mencionando este caso, que é real, porque cheguei a ministrar individualmente algumas dessas ovelhas, ouvindo suas confissões, chorando com elas a dor da traição, sofrendo juntamente a humilhação que sofreram, ministrando-as em cura interior e libertação.

Naturalmente o dito pastor usou de todos os tipos de sofismas e argumentos para convencer e seduzir essas pessoas, que no final estavam cultuando a ele, em vez de a Deus. Haviam sido enganadas. Eram ovelhas criadas de tal forma que não podiam exercer o dom de discernimento.

Aquele pastor foi certamente um enviado do diabo para destruir a igreja e ridicularizar o nome de Deus; alguém que foi levantado para que os inimigos viessem a blasfemar o nome do Altíssimo.

Vivemos este tipo de drama, no meio da igreja de Cristo. Esta é a luta que o corpo de Cristo está travando para que, através dela, os verdadeiros e os autênticos venham a se firmar mais ainda, e para que as ovelhas deixem de ser enganadas, seduzidas e aprisionadas pelo engano e pela falsidade.

Um outro caso real para você julgar

Como entender, agora, que um determinado líder tenha conseguido, por um bom tempo, manter uma aparência de verdadeiro servo do Senhor, falando bonito sobre o amor de Deus, dirigindo a sua congregação, atraindo e até mesmo convertendo muitas pessoas — mas que um dia revela-se ser um falso pastor? Um caso assim eu pude acompanhar, pessoalmente.

Foi o caso de um pastor, cuja congregação crescia, e as pessoas tinham fome e sede da Palavra e queriam buscar a Deus sincera e honestamente. Mas as contradições daquele líder começaram a aparecer. Havia muitas brigas entre ele e a sua mulher, que chegavam a envolver violências físicas.

Mas a esposa sempre me confidenciava que esse fato era sigiloso e que ninguém deveria saber. Claro que todos os casos que ministramos são sigilosos e não permitimos que se comente nada a respeito, fora da sala da ministração.

Pela insistência da esposa, separei um tempo (de que eu não dispunha) para atender o seu marido. Cria realmente, pelo que ela me disse, que ele precisava de libertação, numa ministração completa. Mas na ministração ele sempre tentava fugir pela tangente. Nunca admitiu que tivesse problemas espirituais.

Dava sempre uma desculpa, declarando até o nome de um elemento químico de que o seu corpo carecia. Que uma porcentagem da população tem isso e que a sua crise de ira e de depressão era devido a isso. Ele apresentava síndrome de maníaco depressivo, e por isso de vez em quando ele era internado num hospital.

De acordo com o que a esposa descrevia, ele apresentava um sério desvio de conduta. Mas eu não poderia comentar isso com ninguém e nem mesmo podia confrontá-lo. A crise entre o casal aumentava cada dia mais, e o pastor estava sempre doente. E a igreja orava pela sua recuperação total.

Os pastores que ele havia nomeado estavam aos poucos assumindo a igreja, que a cada dia crescia.

Quando eu o ministrei, houve até manifestação violenta de demônios. Ao saírem, eles provocavam vômitos e mais vômitos naquele pastor. Mas ele nunca admitiu que isso fosse verdade e nunca confessou nada na sua profundidade. Nunca demonstrou arrependimento.

A violência dele para com a mulher continuava; eram os próprios demônios da violência que atuavam, conjuntamente com uma perversão sexual também se manifestando. Houve polícia e delegados envolvidos para apartar os dois.

O pastor ficava totalmente transtornado… e não conseguia se controlar. Esse era um quadro por demais conhecido pela sua esposa. Mas ninguém podia saber do fato. Havia apenas um oficial da igreja que o acompanhava numa situação como essa.

Os co-pastores oravam e buscavam a Deus, e começaram a sentir que deveriam deixar a igreja, devido aos rumores de contínuas crises na situação conjugai do casal líder. Na realidade estavam cansados de aturar e suportar tal situação, em grande contradição com uma vida de obreiro aprovado.

O problema era sempre atribuído à sua doença à falta de uma substância química no seu organismo. Mas, logo em seguida, veio à tona o pecado. Esse homem, que pregava a Palavra, vivia uma vida dupla. Tinha mantido em segredo, por muitos anos, um caso.

E era um caso de homossexualismo.

Seria ele lobo em pele de cordeiro? Seria um homem desesperadamente necessitado que manteve, covardemente, o seu problema escondido, num sigilo duplo de marido e mulher, manchando a igreja, enfraquecendo a noiva e envergonhando o Noivo?

Quando as coisas chegam a este ponto faz-se necessário um ato de arrependimento público para o início de restauração da igreja afetada.

Sobre o autor

Wilson Lemos

Wilson Lemos

Meu nome e Wilson lemos,
sou evangelista formado em bacharel em teologia pelo instituto de teologia
SETAD.

Sou casado e tenho por missão ajudar você a crescer espiritualmente em conhecimento.

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