Estudos Bíblicos

O Engano da Igreja

O Engano da Igreja
Wilson Lemos
Escrito por Wilson Lemos

Vivemos uma euforia, achando que o maior avivamento na história da Igreja está acontecendo no Brasil. Dizem que a Igreja brasileira é a que mais cresce no mundo. Mas essa visão e esse diagnóstico não são totalmente verdadeiros.

Quando verificamos o estado das igrejas brasileiras ficamos realmente abalados e envergonhados, porque o pecado campeia. A prostituição, a mentira, a falsidade, a hipocrisia, o roubo e a corrupção prevalecem no meio dos grandes e pequenos.

Tenho ouvido relatos de que, infelizmente, em tal e tal cidade as igrejas evangélicas estão fechando. Quando ouvimos tais histórias, a nossa reação é de descrédito, pois nunca imaginamos Deus permitindo que isso possa acontecer com uma igreja de Cristo. Questionamos: “Como pode? Não diz a Palavra de Deus que as portas do inferno não prevalecerão contra ela?” (Mateus 16:18)

De fato, a igreja de Cristo é o único corpo que tem a capacidade e a autoridade para enfrentar o inferno. No universo não existe nenhum outro grupo tão especial quanto a Igreja.

Se igrejas estão se fechando, isso é tão somente por falha humana, pela incredulidade e desleixo de seus líderes e membros, que não têm levado em conta a ação do inferno e de Satanás, cujo propósito é matar, roubar e destruir o povo de Deus.

Isso acontece porque uma grande parte da igreja – se não a maioria — está dormente e está fazendo piquenique, enquanto a guerra está no auge de uma violência destruidora.

O leão ruge e o inferno abre a sua boca querendo tragar até os  fiéis. E, nesta situação de guerra, muitos não percebem o perigo terrível que rodeia a igreja, nem pensam em usar as armas espirituais nessa milícia contra as forças do mal e da destruição.

Como a Igreja Tem se Enganado

O engano tem tomado conta da igreja de Cristo. Ela tem acreditado em sofismas, tais como:

– “uma vez salvo, o crente não enfrenta problemas”;

– “o inimigo, Satanás, nada pode fazer contra os filhos de Deus”;

-“os demônios não têm mais acesso aos seguidores de Jesus Cristo”.

Estes sofismas têm prejudicado a Igreja de Cristo e a vida dos crentes. É especificamente para os crentes em guerra que o apóstolo Paulo diz:

          “Não deis lugar ao diabo.” (Ef 5:27)

Ora, se ele disse isto, é porque podemos dar lugar ao diabo. Portanto, o apóstolo quis dizer, com estas palavras, que não devemos dar oportunidade ao diabo através da mentira, da ira, do furto, da palavra torpe, e assim por diante. Porque qualquer crente pode cair nessas tentações e dar uma brecha ao inimigo.

Uma missionária procurou-me para compartilhar algo muito sério. Disse ela que seu tio era alguém muito conhecido nos círculos da sua denominação. Era famoso por ter uma capacidade especial para lidar com os demônios. Um dia ele ouviu um desses espíritos desafiando-o, dizendo-lhe: “Você ainda vai me servir!”

Ele não deu muita importância a isso. Mas não demorou muito, e ele envolveu-se num escândalo, e a igreja não o perdoou. E ele foi refugiar-se com amigos espíritas, que o levaram para a prática do espiritismo.

Foi triste constatar que agora aquele homem estava servindo uma das entidades do baixo espiritismo, e tinha se tornando o seu cavalo (Cavalo significa aquele espírito ou entidade espiritual que vai começar a cavalgá-lo [que toma o seu corpo] A pessoa pode ser pai-de-santo ou médium). Em momentos de desespero ele então chorava, porque queria voltar a servir ao Deus vivo. Mas estava amarrado e precisava de ajuda. As muitas tentativas de irmãos e familiares para ajudá-lo não deram resultado, pois ele sempre fugia de qualquer contato com o pessoal da igreja.

Felizmente esta história teve um final feliz. Depois de um ano, fiquei sabendo que aquele homem, que havia caído até o ponto de ter se tornado um cavalo de Tranca Rua (Tranca Rua é uma das entidades do baixo espiritismo [um exu]), estava sendo encaminhado para a libertação, e fiquei sabendo que ele foi ministrado.

Ouça agora esta outra história.

Um crente um dia pegou uma certa doença e, por muitos anos, fez todo tipo de tratamento. A sua igreja orava por ele. A família estava cansada de gastar tanto dinheiro nas consultas médicas e nos remédios. Então alguém o chamou para uma reunião, para orar por ele. E ali, com aquela oração, os sintomas da sua enfermidade desapareceram. E toda a família aceitou a cura como vinda de Deus, e ele passou a freqüentar aquele grupo, levando a sua Bíblia, para compartilhar o que sabia sobre Jesus e Deus. Com o conhecimento que tinha, ele conseguiu subir na liderança do grupo.

Quando tive contato com ele, ele tinha se tornado pai-de-santo e liderava 20 filhos-de-santo. Aquele grupo que “orou” por ele nada mais era do que um grupo de umbandistas (Era de fato um grupo umbandista; eu mesma conversei com ele).

Felizmente ele voltou a Jesus, pois foi liberto dos demônios que o enganaram, e que o fizeram cair tão fundo, chegando a ser até um sacerdote do inimigo. O que aconteceu de fato com este homem, membro de uma igreja evangélica? Creio que a igreja estava orando com toda sinceridade pela cura dele. Então, o que aconteceu na reunião dos umbandistas?

O inimigo, aproveitando a sua ignorância e a sua falta de conhecimento, tirou os sintomas da sua doença, que tinha sido causada por ação demoníaca. E, pela ausência dos sintomas, ele pensou ter sido curado e começou freqüentar o grupo.

A falta do conhecimento de Deus e do inimigo tem causado muitos danos ao povo de Deus. Com muita tristeza, tenho tomado conhecimento de histórias desse tipo com certa freqüência; histórias de membros de igrejas evangélicas que têm sido enganados, tornando-se servidores das trevas.

É muito fácil dizer que a explicação disso é que eles não eram de fato convertidos, e que por isso foram enganados. Mas se eles não fossem realmente crentes, eles não teriam voltado. Temos que repensar sobre como estamos ministrando ao povo da igreja que, em vez de resistir (Tiago 4:7b), como ensina a Bíblia, vem fugindo dos poderes das trevas.

O engano também está por trás de afirmações e recomendações que se tem feito por aí: “os crentes que vieram do espiritismo não devem estar no ministério de batalha espiritual, porque a tendência deles é voltar para o espiritismo”. Esta é uma outra afirmação de alguém que não examinou a situação dos ex-espíritas com profundidade, quando passam pela libertação de Cristo.

A Igreja de Jesus Cristo no Brasil, porém, não pode ignorar a seriedade e o compromisso espiritual daqueles que estabelecem vínculos com as entidades espirituais ou com os demônios através da feitiçaria e da idolatria.

Uma Abordagem Reducionista na Evangelização

Se continuarmos a ser reducionistas em nossa abordagem da apresentação do evangelho aos pecadores, em nossa pregação, em nossa evangelização, barateando o evangelho, vamos continuar enfrentando esses problemas.

Se em nossa ministração da salvação em Cristo pedirmos a esse pessoal que está abandonando as práticas da feitiçaria, da bruxaria, da magia negra, etc. apenas para levantar a mão — como confirmação da sua disposição em seguir a Jesus — e só permanecer nisso, vamos continuar a encher as nossas igrejas com crentes oprimidos e cheios de problemas causados por demônios.

Muitos dos que abandonaram o espiritismo desse modo serão tentados a voltar às suas origens, devido às pressões do mundo das trevas, uma vez que não passaram por libertação.

Lembro-me de uma certa moça, que vou chamá-la de Sílvia, que me foi trazida por uma missionária pelo fato de estar enfrentando uma situação estranha. Tendo cinco anos de conversão, ela foi rapidamente promovida à liderança da mocidade da sua igreja. Ela orava, pregava e evangelizava. Mas, de repente, recusou-se a continuar no ministério da mocidade: não queria mais orar, nem pregar, nem evangelizar. Quando a recebi, eu lhe perguntei:

— Você tinha se envolvido com o espiritismo antes da sua conversão?

— Nunca, não gosto dessas coisas — respondeu-me.

Mas havia um fato curioso nela. Ela não se lembrava de nada do que havia acontecido na sua infância, até meados da sua adolescência.

Continuando a entrevistá-la naquela ministração, eu a convidei a reafirmar a sua fé em Jesus Cristo e a renunciar os seus antigos senhores, Satanás e seus demônios. Seria uma renúncia geral, algo bastante simples.

Mas quando ela foi reafirmar a sua fé em Jesus Cristo e renunciar o inimigo, de repente ela se viu travada na sua fala, na sua garganta, no seu corpo. E, atônita, viu-se rolando no chão, para poder confirmar a sua fé em Cristo e fazer a renúncia. Ela assustou-se, pois nunca tinha imaginado que semelhante coisa pudesse acontecer consigo. O mesmo aconteceu quando ela começou tomar posse da quebra de maldições hereditárias, com base na obra que Jesus Cristo realizou na cruz do Calvário.

Depois de uma semana ela me procurou, confessando:

— Minha irmã, lembrei-me de tudo. Desde criança eu ia ao centro espírita com meus familiares; eles me levavam lá duas vezes por semana.

Os demônios que nela se achavam escondidos estavam atando a vida espiritual dela e, quando ela ia crescer no ministério na igreja, começaram a impedir que prosseguisse em servir ao Senhor, provocando total desinteresse na leitura da Bíblia, na vida de oração e até nas suas atividades ministeriais.

— Por que fulano e beltrana, que tinham sido pai-de-santo e mãe-de-santo, e que estavam tão entusiasmados quando aceitaram a Jesus Cristo, acabaram voltando ao espiritismo? – perguntou-me um dia uma pastora, desolada.

Ela sentia-se fracassada diante da situação. Certamente essa obreira nunca foi informada de que os que se envolveram pesadamente com os demônios não se libertam apenas com um assentimento intelectual, ou com uma confissão formal da fé.

A pessoa tem que entregar a sua vida a Jesus Cristo, mas também tem de renunciar e expulsar os demônios com quem se envolveu. Os pactos e as alianças devem ser quebrados. Por falta de conhecimento da seriedade do envolvimento com os demônios, e a liderança da igreja não sabendo o que fazer e como fazer com os novos convertidos para que se libertem, muitos deles acabam voltando às suas origens, pressionados pelos poderes das trevas.

E o engano é de tal monta que os advindos do espiritismo e do ocultismo, que apenas se decidiram começar seguir a Cristo, são muitas vezes aconselhados: “Vocês decidiram seguir Jesus? Vocês nada mais têm que fazer; vocês se converteram e agora vocês são novas criaturas, tudo se fez novo para vocês.” (Este engano decorre do não entendimento de que 2 Coríntios 5:17 diz respeito ao nosso homem espiritual, mas não ao “velho homem”, que ainda está contaminado e que precisa ser despojado de todas as suas impurezas, conforme vários versículos bíblicos nos ensinam) Alguns deles são até aconselhados de que não precisam passar pela libertação.

A Necessidade da Igreja, Hoje

Tenho presenciado uma multidão de pessoas insatisfeitas, desiludidas com as religiões tradicionais do nosso povo. Muitos já descobriram que o espiritismo – tanto na sua expressão mais intelectualizada, o Kardecismo, quanto na sua versão mais popular, a do baixo espiritismo, na forma de Candomblé e Umbanda – é demoníaco e buscam a solução na igreja de Cristo.

Mas, infelizmente, nem todos da liderança evangélica crêem que tais pessoas precisam ser ministradas de uma maneira muito especial; e a igreja, de um modo geral, não está preparada para ministrá-las em libertação.

Quando aqueles que buscam a Deus descobrem que Cristo é o Salvador suficiente, que ele teve vitória sobre os demônios, que ele é o único que os pode libertar dos espíritos malignos, destruidores e inescrupulosos, o entusiasmo é grande. De inicio tais pessoas apaixonam-se pelo Senhor e começam uma nova vida, entusiasmadas. Mas, se não passarem por uma libertação e cura interior, onde as suas feridas sejam tratadas e os demônios expulsos, todos eles voltarão às suas práticas antigas ou se tornarão crentes amarrados, oprimidos e medíocres.

Em muitos casos, acontece ainda que, por não ter passado pela libertação e cura interior, a pessoa chega a exercer certos dons espirituais misturados com as antigas capacidades adquiridas no meio da feitiçaria, e criam uma confusão tremenda na igreja.

Essa mistura e contaminação acontece freqüentemente com visões e profecias. Quem recebeu capacitações espirituais através do baixo espiritismo, do Kardecismo, da Messiânica e de outras práticas religiosas, antes de começar a iniciar o seu ministério, terá de passar por uma libertação caprichada.

Um Pouco da Nossa Experiência

Estou envolvida neste ministério de libertar as pessoas crentes dos poderes das trevas desde 1973, quando pela primeira vez enfrentei o caso de um irmão, um estudante universitário de uma das melhores escolas do Brasil, que estava cheio de demônios. Desde 1989 tenho atuado no ministério de ensino em igrejas, falando como devemos adequar a nossa mensagem do evangelho no contexto da feitiçaria, para poder salvar esse povo que vem de todas essas práticas espíritas e macumbeiras.

Tenho exortado as igrejas locais no sentido de constituírem um ministério de libertação. E, junto com o ensino, tenho aconselhado e ministrado pessoalmente, com uma equipe treinada e ungida, milhares de pessoas advindas do espiritismo, do ocultismo, do esoterismo, da perversão sexual e de todos os demais vínculos com as trevas.

Nosso ministério tem se desenvolvido dentro das igrejas. Não ministramos aqueles que ainda são umbandistas, kardecistas e candomblistas, ou participantes de qualquer outra seita, mas apenas crentes que, no passado, antes de sua conversão, tiveram um envolvimento com as trevas, crentes esses que ainda se encontram oprimidos e com problemas causados pelos demônios.

Anualmente, através do nosso ministério (Ministério Ágape – Reconciliação; Rua Júlio de Castilhos, 1033 – 03059-000 -São Paulo – SP; Tel. (11) 6096-5106), temos falado a aproximadamente 15.000 pessoas, de igreja em igreja, incluindo-se neste número muitos pastores e líderes. E, a cada ano, a nossa equipe tem ministrado pessoalmente, com ficha individual, uma média de 2000 pessoas. Hoje, há equipes de libertação que foram por nós treinadas, que têm se multiplicado e que estão ministrando em diversas igrejas, espalhadas por todo o Brasil.

Cada vez mais eu me convenço de como a igreja de Cristo está enferma, aprisionada e oprimida: tanto na sua estrutura de liderança, quanto nos seus membros. Estou convencida de que a igreja tem que adequar a sua mensagem e a sua prática ao nosso contexto de idolatria e macumbaria, de forma a libertar os oprimidos do seu cativeiro. Disse Jesus:

          “O Espírito de Deus está sobre mim, pelo que me ungiu para evangelizar aos pobres; enviou-me para proclamar libertação aos cativos e restauração da vista aos cegos, para pôr em liberdade os oprimidos, e apregoar o ano aceitável do Senhor”. (Lc 4:18,19)

Alegro-me quando fico sabendo que tais e tais igrejas estão crescendo. Mas isso também significa que essas igrejas estão recebendo um contingente muito grande de pessoas que vieram das práticas da feitiçaria, da idolatria, do poder da mente, e de muitos outros envolvimentos com as trevas.

Quando ministramos em igrejas assim, o número de pessoas necessitadas de serem libertas — para que desse modo possam crescer saudavelmente em sua nova vida em Cristo — é enorme. A nossa equipe tem que se desdobrar para atender o maior número possível de pessoas na ministração pessoal (cada ministração leva em torno de uma hora e meia, pelo menos, e num seminário de libertação normalmente estamos com uma equipe de 10 a 12 ministrantes). Em alguns casos somos obrigados a trabalhar duro para socorrer mais de 70 a 100 pessoas individualmente, devido ao desespero das situações.

Nossa equipe, ao entrevistar as pessoas no aconselhamento de libertação e cura interior, tem se assustado com o nível de envolvimento dos que têm procurado a igreja de Cristo. Tais pessoas envolvem-se com todo tipo de práticas demoníacas, espíritas, esotéricas e vêm desembocar na igreja de Cristo, mas trazem consigo todo tipo de entulho, de sujeira e de comprometimento espiritual. Esse pessoal é aquele que, no passado, literalmente vendeu a sua alma ao diabo em troca de um momento de felicidade ilusória: amor, trabalho, saúde e dinheiro fácil.

A Necessidade de Libertação

Se estas entidades com quem eles foram envolvidos não forem renunciadas, se os vínculos estabelecidos com tais espíritos não forem cortados e quebrados, e se os pecados envolvidos não forem confessados, esses demônios tornarão a voltar e a confundir essas pessoas, dificultando o seu crescimento na fé e amarrando a sua vida espiritual, para que tenham, na melhor das hipóteses, uma vida cristã medíocre.

Quando o direito legal que essas entidades tinham, por causa dos pecados praticados, não forem desse modo anulados, elas continuam com direito de atingir o crente, oprimindo-o e procurando trazê-lo de volta (Mateus 12:43-45).

Temos ouvido sobre vários casos de pessoas que tiveram uma conversão espetacular, mas pela falta de uma ministração mais apropriada, ou voltaram às práticas antigas, ou caíram no pecado de adultério e perversão sexual. Temos encontrado casos de pessoas que tinham sido sacerdotes ou pais-de-santo, mas que agora são crentes, que vêm desesperados, pedindo ajuda, por estarem enfrentando lutas insuportáveis.

É o caso de uma ex-mãe-de-santo que, apesar de estar na igreja de Cristo havia mais do que uma década, vinha enfrentando lutas e tentações terríveis para voltar às suas práticas antigas. Mas, quando foram quebrados os vínculos, renunciadas as entidades, e confessados todos os seus envolvimentos, ela experimentou uma grande transformação na sua vida.

O engano está na interpretação da Palavra de Deus que diz que aquele que está em Cristo Jesus é uma nova Criatura e que tudo se fez novo, como já foi mencionado.

Quando uma pessoa confessa com a sua boca que Jesus Cristo é o Senhor e crê no coração que ele ressuscitou, ela realmente se torna uma nova criatura e está salva (Ver Romanos 10:9-10 e João 3:6-7).

Na dimensão espiritual, ela adquire a posição do filho que se assenta no lugar celestial juntamente com Cristo (Efésios 2:6). E ele se torna filho de Deus, de direito (Cf. João 1:12: “Contudo, aos que o receberam, aos que creram em seu nome, deu-lhes o direito de se tornarem filhos de Deus, os quais não nasceram por descendência natural,… mas nasceram de Deus.” (nvi) ).

             Mas agora, ele terá de ser orientado, discipulado, ensinado a viver de fato a condição de ser filho de Deus no seu dia-a-dia, experimentando o poder transformador do Espírito Santo, a caminho da santificação. E terá que se despojar do “velho homem” (Efésios 4:22-24), isto é, libertar-se de todas as coisas antigas e de todas as contaminações que o atingiram em sua vida.

Mas nisto a igreja tem falhado. Não tem ajudado e esclarecido o novo convertido sobre o que fazer com os pecados do passado, com os envolvimentos com a feitiçaria e com a idolatria, e com tudo mais que o contaminou no passado.

A pessoa não pode exercer apenas aquela fé que chamaríamos de fé crédula. Nós, brasileiros, cremos em tudo, e cremos até demais. A Palavra de Deus diz que os demônios também crêem e até tremem. Eles conhecem quem é Jesus. No entanto, o seu destino é a perdição e o lago de fogo.

Por isso, no exercer a fé salvadora, temos que entregar a nossa vida nas mãos do Senhor e quebrar os vínculos com os demônios, a quem servimos e com quem nos envolvemos no passado.

Prática da Igreja Neotestamentária e Primitiva

Os efésios que viviam no contexto da magia, envolvendo idolatria e feitiçaria e centralizados no culto da grande Diana, ao ouvirem a pregação de Paulo, creram de fato em Jesus Cristo, como Senhor e Salvador. Mas não ficaram apenas no assentimento intelectual. O ato de crer em Jesus como Senhor e Salvador foi expresso numa renúncia pública das suas práticas antigas.           Trouxeram os seus livros de magia para queimar, e vieram confessando e denunciando tudo que eles praticaram no passado, na área da feitiçaria e da magia. (Atos 19:18-19).

É interessante o que os pais da igreja primitiva faziam com o povo que abandonava a feitiçaria. Por volta do ano 200 AD, o catecumenato desse povo chegava a durar até três anos. O pessoal que lidou com demônios tinha que ser cuidadosamente discipulado e ensinado nas doutrinas dos apóstolos e nos princípios do Cristianismo.

Enquanto faziam isso, eles eram submetidos a diversas ministrações de libertação, ou seja, de expulsão de demônios. Só depois disso eles eram batizados. E, no batismo, eles declaravam claramente, juntamente com a confissão da sua fé, que renunciavam Satanás e seus demônios e todo orgulho, pompa e vaidade de origem satânica (Sipierski, Paulo – A Voz da Igreja Primitiva; São Paulo, SP, Editora Sepal 1991).

Uma Conclusão Importante

Hoje, temos apenas uma sombra dessa prática. Reduzimos a expressão da nossa fé em Cristo em apenas levantar a mão, e quem decidiu seguir a Jesus é levado a fazer um curso rápido de preparação para o batismo, sem fazer com que os que vieram do espiritismo e do ocultismo, principalmente, passem por libertação.

Como é importante compreendermos que Jesus Cristo fez uma obra completa na cruz do Calvário, e que nada acrescentamos a ela, apenas dela temos que nos apropriar, não apenas em termos de salvação, mas de libertação, de cura, de quebra de maldições. Sim, na cruz ele levou os nossos pecados, quebrou todas as maldições de toda humanidade, e destruiu o poder das trevas, esmagando a cabeça da Serpente.

Temos apenas que adequar esta mensagem aos nossos dias, dentro das nossas igrejas, inseridas num contexto de espiritismo e idolatria, e nos apropriarmos de todas as bênçãos que por nós Jesus conquistou na cruz.

Sobre o autor

Wilson Lemos

Wilson Lemos

Meu nome e Wilson lemos,
sou evangelista formado em bacharel em teologia pelo instituto de teologia
SETAD.

Sou casado e tenho por missão ajudar você a crescer espiritualmente em conhecimento.

Deixe um comentário