Ilustrações

O  Chicote da Cobiça 

O  Chicote da Cobiça 
Wilson Lemos
Escrito por Wilson Lemos

É possível que os leitores conheçam a fábula de Tolstoi em que se refere a um camponês ferido da cobiça de terras. Não podendo conseguir do patrão quanto desejava, procura outro senhor, que lhe diz que, com o dinheiro que tem, pode receber toda a extensão de terra em volta da qual ele seja capaz de andar até ao pôr-do-sol.

O camponês concorda alegremente, e o dono das terras coloca seu boné sobre um torrão e lhe diz que pode andar até onde quiser, em círculo, voltando ao boné antes de se pôr o Sol, e toda a parte assim rodeada lhe pertencerá.

A princípio o camponês anda calmamente, mas logo adiante vê um pedaço de terra muito boa, ótima para plantar milho, e então alarga o círculo a fim de incluir aquele trecho.

Mais adiante descobre um pedaço excelente para o cultivo de batatinhas, e aligeira o passo para incluí-lo também. Outro magnífico lote de terra lhe chega ao alcance da vista, e outro mais, e outro ainda.

Para abranger tudo aquilo, tem que correr, e assim faz; primeiro a passo cadenciado, depois com toda a força. Afinal conclui que já basta, e nota com apreensão que o Sol está bem perto do horizonte e o boné ainda fora de vista.

Estica os passos mas tem os pés feridos e sangrentos, dói-lhe a cabeça, os pulmões arquejam como uma forja de ferreiro, as veias se acham tensas e inchadas, o coração bate como um malho contra as costelas.

Redobra os esforços e afinal avista o boné. Está exausto, todos os nervos tensos, a cabeça parece nadar-lhe, e diante dos olhos vê uma névoa rubra. Mas os ouvidos latejantes percebem os estridentes aplausos dos circunstantes, e com esforço sobre-humano estende a mão para o boné. Mas antes de atingi-lo cai exânime, o Sol se põe e ele jaz morto.

Esta não é uma história antiquada. Repete-se todos os dias. Homens ainda caem mortos na cruel corrida para a qual a ambição e a avareza empunham o chicote. Qualquer médico confirmará isso.

Vem primeiro a morte da alma. Quando, pensam vocês, aquele camponês sucumbiu à única morte que tem conseqüências? Foi no final da corrida, quando caiu fulminado junto ao seu prêmio? Foi durante a corrida, ou no princípio? No mais amplo sentido da palavra, ele já estava morto quando iniciou a carreira – unicamente uma alma sem vida poderia empenhar-se em semelhante corrida. – E. Hermann.

Sobre o autor

Wilson Lemos

Wilson Lemos

Meu nome e Wilson lemos,
sou evangelista formado em bacharel em teologia pelo instituto de teologia
SETAD.

Sou casado e tenho por missão ajudar você a crescer espiritualmente em conhecimento.

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