Ilustrações

Mãos Que Oram

Mãos Que Oram
Wilson Lemos
Escrito por Wilson Lemos

Alberto Dürer residia em um local onde o pão era difícil de ser ganho, e o trabalho, por demais pesado. Sua alma de jovem, porém, andava sempre inquieta, sonhando com grandezas e glórias. Seu imenso desejo era ser um grande artista do pincel, um afamado pintor!

Certo dia, surgiu uma oportunidade excelente para realizar os seus sonhos: iniciou os seus estudos. Entretanto, para os estudantes pobres, os sonhos custam a se tornarem realidade.

Por isso, Alberto foi obrigado a trabalhar e muito e a estudar pouco. Num dia de grandes lutas, de dificuldades tremendas, encontrou-se com um amigo, pobre como ele, mais velho, que também tinha queda para pintor e desejava ser um célebre pintor.

Os dois decidiram viver juntos e lutar juntos. A princípio, tudo corria bem. Tempos depois, começaram a encontrar grandes dificuldades financeiras. Era difícil a vida para ambos. Seus sonhos estiveram por ruir por terra. Nessa triste situação, o amigo de Alberto, que o amava bastante, lhe disse:

– Trabalhar e estudar ao mesmo tempo, é tarefa impossível para nós, pois nem vivemos decentemente e nem aperfeiçoamos os nossos estudos. Procedamos de maneira diferente.

Um de nós dois trabalhará enquanto o outro estudará e quando o que estudar realizar os seus sonhos e começar a pintar e a vender os seus quadros, chegará a oportunidade do outro iniciar os seus estudos. Eu irei trabalhar por você e por mim, pois sou mais velho e não tenho o talento que você tens. Aproveite bem os anos da sua juventude.

O amigo de Alberto empregou-se em um hotel. Diariamente, lavava pratos e o assoalho. Suas mãos tornavam-se cada vez mais rudes. Seu coração, porém, estava sempre alegre, esperançoso pelo sucesso bem próximo do amigo.

Chegou o dia em que Alberto Dürer começou a ascender os escalões da glória: seus primeiros quadros eram bem vendidos. Com a alegria inundando-lhe o coração, entrou na humilde morada em que vivia o amigo fiel para dar-lhe a grata notícia.

– Agora, eu ganharei o pão para nós dois, já não é mais necessário que suas mãos – mãos de artista – gastem-se em trabalhos fadigosos. Eu, agora, poderei cuidar de você e você pode realizar os seus sonhos.

O velho amigo de Alberto, alegre com a notícia, voltou a lidar com os seus pincéis. Suas mãos, porém, não podiam agir como antes. Os trabalhos árduos haviam-nas estragado… e estragado para sempre!

Certo dia, Alberto volta à casa do amigo, inesperadamente. Ao entrar, encontrou-o orando, com as mãos toscas e rugosas elevadas para o Céu, para Deus!

– Eu jamais poderei fazer voltar a essas mãos a habilidade perdida no trabalho rude, porém eu poderei mostrar ao mundo o amor e a gratidão que existem em meu coração por tudo quanto por mim elas fizeram. Pintarei essas mãos tal como agora eu as contemplo e o mundo saberá apreciar imenso um caráter tão nobre como desinteressado.

NOTA: Alberto Dürer foi um célebre pintor crente alemão, que viveu nos anos 1471-1528. É autor de magníficos quadros religiosos, dentre os quais um que se tornou célebre e foi inspirado na oração que o amigo fazia, quando entrou no seu quarto – duas mãos unidas, elevadas para os céus.

Sobre o autor

Wilson Lemos

Wilson Lemos

Meu nome e Wilson lemos,
sou evangelista formado em bacharel em teologia pelo instituto de teologia
SETAD.

Sou casado e tenho por missão ajudar você a crescer espiritualmente em conhecimento.

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