Estudos Bíblicos

Juda e Tamar

Juda e Tamar
Wilson Lemos
Escrito por Wilson Lemos

A Identidade e a Imoralidade

Acredito que o principal elemento da personalidade de um indivíduo é a sua identidade. A identidade é o conhecimento da verdade divina acerca de si mesmo nas diversas áreas e condições da existência. Na mesma proporção que perdemos contato com nossa identidade vamos também fracassar em desempenhar nossas habilidades bem como aleijar nosso destino.

Saber quem somos espiritualmente e vocacionalmente nos lança numa dinâmica de fé e obras que extrapola as impossibilidades.

O conhecimento de Deus e a revelação da nossa identidade

Você só irá saber quem você é de fato, descobrindo quem Deus é. São revelações simultâneas, paralelas.

No capítulo 16 do evangelho de Mateus, depois de Jesus ter enviado os discípulos para um tempo prático de missões, eles retornam maravilhados com as coisas que haviam acontecido e Jesus pega aquele momento para se revelar mais profundamente a eles.

Primeiramente ele pergunta: “Quem dizem os homens ser o Filho do homem? Responderam eles: Uns dizem que é João, o Batista; outros, Elias; outros, Jeremias, ou algum dos profetas” (Mt 16:13,14).

Então vem a segunda pergunta: “Mas vós, perguntou-lhes Jesus, quem dizeis que eu sou? Respondeu-lhe Simão Pedro: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo’ (Mt 16:15,16).

Pedro surpreendentemente tem uma revelação do Pai acerca de quem Jesus era. Aquilo realmente deixa Jesus empolgado: “Disse-lhe Jesus: Bem-aventurado és tu, Simão Barjonas, porque não foi carne e sangue que to revelou, mas meu Pai, que está nos céus (vs 17).”

Assim como Pedro teve uma revelação do Pai sobre Jesus, Jesus devolve para Pedro uma revelação sobre ele dizendo: “Pois também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificareí a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela”(vs 18). Ali Pedro entendeu pela própria boca de Jesus que era uma pedra viva no fundamento da igreja apostólica (I Pe 2:5).

Portanto, sobre o fundamento da revelação do Pai que Pedro teve sobre quem Jesus era, ou seja, sobre esta rocha, é que a igreja seria edificada e Pedro desempenharia um significativo papel apostólico. Cada revelação acerca de Deus é correspondida com uma revelação acerca de nós mesmos. Assim a igreja que triunfa sobre as portas do inferno é edificada.

Um dos fatores mais importantes acerca da identidade de qualquer indivíduo é que ela tem origem em Deus. Ele é o supremo criador não criado. Para descobrir nossa identidade precisamos entrar na empolgante jornada de retornar ao coração de Deus, o autor da nossa vida e existência.

Qual seria, portanto, este caminho de volta às nossas origens? Jesus declarou: Eu sou o caminho, a verdade e a vida e ninguém vêm ao Pai senão por mim. O caminho que quebra o jugo da orfandade espiritual, da ignorância acerca da nossa origem, propósito e destino é uma pessoa: Jesus, que nos proporciona não só revelação, mas acesso à paternidade do Criador.

Um dos sintomas mais fortes da crise de identidade é o sentimento de orfandade em relação a pais verdadeiros, a pais espirituais e a Deus, nosso Pai celestial. Desta forma não só perdemos contato com nossa verdadeira identidade em Deus, como também nossa herança é saqueada.

Traumatizando a Identidade

Obviamente que o diabo tem um interesse básico que consiste em traumatizara identidade das pessoas, pois a partir disto, as pessoas começam não mais que andar em círculos no que tange ao propósito maior da vida.

Sua maior arma para isto é a imoralidade. A imoralidade é um dos pecados que mais afetam a identidade de uma pessoa. Ela tem o poder de destruir a alma: “O que adultera com uma mulher é falto de entendimento; destrói a sua alma o que tal faz. Achará castigo e vilipendio, e o seu opróbrio nunca apagará”. (Pv 6:32,33}

A imoralidade acarreta um estado perpétuo de vergonha espiritual que esmaga a consciência, destrói a autoridade, corrompe a influência. O que está em pauta é o processo sinistro de perverter a personalidade. Qualificamos de sinistro porque ao mesmo tempo em que é destrutivo é também atrativo e acumulativo.

Para entendermos melhor o poder de perversão que a imoralidade imprime na identidade de um indivíduo, basta considerar a situação específica do homossexualismo.

Certa vez, aconselhando um ex-homossexual, recém-convertido ao Senhor Jesus, me dei conta da confusão e dor com a qual estas pessoas têm que conviver, quando tentando explicar-me seu conflito, resumiu dizendo que da cintura para cima se sentia homem, enquanto que da cintura para baixo se sentia mulher. Parecia haver um nó na sua cabeça.

Acredito que este é um dos piores níveis de confusão que alguém pode atingir, de não saber nem mais a que sexo pertence. Esta é a primeira pergunta da vida de uma pessoa. Antes mesmo do nome as pessoas perguntam: Qual é o sexo? Confusões acerca de coisas tão básicas da vida comprometem fatalmente o destino e qualquer possibilidade de realização.

Pessoas com este tipo de problema, antes de tudo, precisam ser compreendidas e conduzidas a um verdadeiro referencial de amor, aceitação e paternidade.

Nomes de Blasfêmia

É também muito comum em aconselhamentos vermos pessoas que sofreram um tipo de pré-programação nas suas personalidades. Isto acontece através de uma manipulação maligna da identidade.

Um dos principais ardis do espírito de sensualidade é promover nomes de blasfêmia como vemos no texto a seguir.”… e vi’ uma mulher assentada sobre uma besta de cor escarlata, que estava cheia de nomes de blasfêmia… E na sua testa estava escrito o nome: Mistério, a grande Babilônia, a mãe das prostituições e abominações da terra”. (Ap 17:3,5).

É da identidade deste espírito, adulterar a identidade das pessoas, blasfemar da obra prima de Deus. Pessoas são induzidas estrategicamente a crer nestas blasfêmias à cerca de si mesmas. Muitos se agarram à isto de maneira fatalística, como que um “karma” do qual não podem se desvencilhar. Blasfemar significa adulterar o caráter, caluniar.

Isto acontece sempre através de situações traumáticas, onde a pessoa recebe fortes cargas de rejeições, profecias demoníacas, apelidos ferinos, muitas vezes veiculados até mesmo por pais e autoridades.

Muitos homossexuais, prostitutas, “garanhões”, “sapatonas”, etc, nada mais são do que o resultado desta programação maligna, onde estas pessoas motivadas por abusos ou situações traumáticas creram e adotaram estes nomes de blasfêmia para si mesmos e chegam num estado tão profundo de engano que até mesmo se orgulham do que são.

Este orgulho, normalmente expressa a reação à dor, um grito de rebelião às rejeições e conflitos internos variados. É uma luta desgastante e interminável.

Acredito que muitas pessoas estão prostradas neste tipo de situação. Se sentem saqueadas, esvaziadas e fracassadas como resultado de uma vida centralizada na perversão e imoralidade.

O Drama de Judá

Esta também foi a história de um grande personagem bíblico, o patriarca Judá. Vamos, portanto, analisar o drama de sua vida e aprender com seus fracassos, bem como com o processo pelo qual se tornou um grande homem de Deus. Vamos analisar o seguinte texto:

“… Então, tomaram a túnica de José, e mataram um cabrito, e tingiram a túnica de sangue. E enviaram a túnica de várias cores, e fizeram levá-la a seu pai, e disseram: Temos achado esta túnica; conhece agora se está será ou não a túnica de teu filho. E conheceu-a, e disse: É a túnica de meu filho; uma besta fera o comeu, certamente foi despedaçado José.

Então Jacó rasgou os seus vestidos, e pôs saco sobre os seus lombos, e lamentou a seus filhos muitos dias. E levantaram-se todos os seus filhos e todas as suas filhas, para o consolarem; recusou-se, porém, ser consolado, e disse: Na verdade com choro hei de descer ao meu filho até à sepultura.

Assim o chorou seu pai. E os midianitas venderam-no no Egito a Potifar, eunuco de Faraó, capitão da guarda.

E aconteceu no mesmo tempo que Judá desceu de entre seus irmãos, e entrou na casa de um varão de Adulão, cujo nome era Hira. E viu Judá ali a filha de um varão cananeu, cujo nome era Suá; e tomou-a e entrou a ela.

E ela concebeu, e teve um filho, e chamou o seu nome Er, e tornou a conceber, e teve um filho, e chamou o seu nome Onã; E continuou ainda, e teve um filho, e chamou o seu nome Sela; e ele estava em Quezibe quando ela o teve. Judá pois tomou uma mulher para Er, o seu primogênito, e o seu nome era Tamar. Er, porém, o primogênito de Judá, era mal aos olhos do Senhor, pelo que o Senhor o matou.

Então disse Judá a Onã: Entra à mulher do teu irmão, e casa-te com ela, e suscita semente a teu irmão. Onã, porém, soube que esta semente não havia de ser para ele; e aconteceu que quando entrava à mulher de seu irmão, derramava-a na terra, para não dar semente a seu irmão.

E o que fazia era mau aos olhos do Senhor, pelo que também o matou. Então, disse Judá a Tamar sua nora: Fica-te viúva na casa de teu pai, até que Sela, meu filho, seja grande. Porquanto disse: Para que porventura não morra também este, como seus irmãos. Assim foi-se Tamar, ficou-se na casa de seu pai.

Passando-se muitos dias, morreu a filha de Sua, mulher de Judá; e depois se consolou Judá, e subiu aos tosquiadores das suas ovelhas em Timna, ele e Hira seu amigo, o adulamita. E deram aviso a Tamar, dizendo: Eis que o teu sogro sobe a Timna, a tosquiar as suas ovelhas.

Então ela tirou de sobre si os vestidos da sua viuvez, e cobriu-se com o véu, e disfarçou-se, e assentou-se à entrada das duas fontes que estão no caminho de Timna, porque via que Sela já era grande, e ela não lhe fora dada por mulher. E vendo-a Judá, teve-a por uma prostituta; porque ela tinha coberto o seu rosto.

E dirigiu-se para ela no caminho, e disse: Vem, peço-te, deixa-me entrar a ti. Porquanto não sabia que era sua nora: e ela disse: Que darás, para que entres a mim? £ ele disse: Eu te enviarei um cabrito do rebanho. E ela disse: Dás-me penhor até que o envies? Então ele disse: Que penhor é que te darei? E ela disse: O teu selo, o teu cordão, e o cajado que estás em tua mão.

O que ele lhe deu, e entrou a ela, e ela concebeu dele. E ela levantou-se, e foi-se, e tirou de sobre si o seu véu, e vestiu os vestidos da sua viuvez.

E Judá enviou o cabrito por mão do seu amigo o adulamita, para tomar o penhor da mão da mulher, porém não a achou. £ perguntou aos homens daquele lugar, dizendo: Onde está a prostituta que estava no caminho junto às duas fontes? E disseram: Aqui não esteve prostituta alguma.

E voltou a Judá, e disse: Não a achei; e também disseram os homens daquele lugar: Aqui não esteve prostituta. Então disse Judá: Tome-o ela, para que porventura não venhamos em desprezo; eis que tenho enviado este cabrito; mas tu não a achaste. E aconteceu que, quase três meses depois, deram aviso a Judá, dizendo; Tamar, tua nora, adulterou, e eis que está pejada do adultério.

Então disse Judá: Tirai-a fora para que seja queimada. E tirando-a fora, ela mandou dizer a seu sogro; Do varão de quem são estas coisas eu concebi. E ela disse mais: Conhece, peço-te, de quem é este selo, e este cordão e este cajado. E conheceu-os Judá, e disse: Mais justa é ela do que eu, porquanto não a tenho dado a Sela meu filho. E nunca mais a conheceu. (Gn 37:31 – 38:26)

Sucintamente, este texto nos mostra como Judá foi saqueado pelo espírito de sensualidade. Dentre tantas coisas, ele perdeu sua identidade simbolizadas pelo selo, pelo cordão e pelo cajado, onde ele chega a se prostituir com a própria nora sem saber que era ela.

A Decadência de Judá

Espiritualmente falando, a queda sempre é um processo. Vamos analisar este processo passo a passo na vida de Judá:

  1. 1. Fuga: Judá se apartou de seus irmãos. “Aconteceu, por este tempo, que Judá se apartou de seus irmãos…” (Gn 38:1)

“Mas, se andarmos na luz, como ele na luz está, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo o pecado”, (I Jo 1:7)

Judá comparsado com seus irmãos, havia vendido o irmão caçula como escravo, e para acobertar a situação, tiveram que mentir ao pai, conseguindo provas falsas acerca da morte de José.

A mentira acerca da morte de José quase também matou Jacó, seu pai. Triturou e esmagou profundamente seu coração. Judá não podia mais suportar a dor da situação. Sua consciência não tolerava sua própria covardia, a hipocrisia dos irmãos, a dor do próprio pai, e a cena de um falso velório.

É exatamente, como diz a escritura citada, “por este tempo”, que ele decide fugir em face do trauma que a situação representava.

As trevas, ou seja, a escolha de sonegar a verdade destruiu sua comunhão com a família. Certamente, ignorava que ainda teria que voltar neste ponto, resolver tudo, encarar a verdade publicamente, olhar dentro dos olhos de José e Jacó, independentemente do quão longe tentasse fugir.

O ambiente predileto para o diabo levantar suas fortalezas são os traumas, que significam áreas de tamanha fraqueza, medo e desesperança onde quase não existe força para reagir.

Fugir da verdade sempre parece, a princípio, o caminho mais fácil. O que precisamos entender é que fugir é sempre a pior escolha, o caminho mais longo. Nunca tente fugir de Deus, você estará tomando a direção do inferno.

Quando Judá se apartou de seus irmãos, ele não só estava se afastando da solução do seu problema com José e Jacó, como também foi o primeiro passo para se afastar da sua identidade. No fundo, ele estava fugindo não apenas de sua consciência, mas estava fugindo de quem ele fora criado para ser em Deus.

Quem foge da dor, em termos práticos, busca conforto e alívio, mas normalmente o que encontra são paliativos. O diabo anseia por estas oportunidades. Aproveitando-se da fragilidade, ele seduz e escraviza as pessoas.

O prazer de um relacionamento que envolve imoralidade é um falso conforto predileto usado por Satanás como um caminho de fuga. Temos em pauta, a imoralidade como uma das estratégias usadas para tentar destruir o plano de redenção divino, pois, como sabemos, Judá veio a ser parte da linhagem do Messias.

  1. Imoralidade e jugo desigual: Judá se ajuntou com uma mulher cananéia. “E viu Judá ali a filha de um varão cananeu, cujo nome era Sua; e tomou-a e entrou a ela”. (Gn 38:2)

“E Isaque chamou a Jacó, e abençoou-o, e ordenou-lhe, e disse-lhe: Não tomes mulher de entre as filhas de Canaã”. (Gn 28:1)

Dominado pela urgência de encontrar conforto para tantos conflitos que latejavam em sua alma, Judá se refugia num relacionamento sexual que também acarretava uma situação de jugo desigual. Jugo desigual é um termo usado pelo apóstolo Paulo para qualificar um relacionamento reprovado que agride a unidade espiritual, sujeito a interpelações demoníacas.

Jugo desigual é uma fonte de desconfortos e sofrimentos.

Percebemos o desequilíbrio espiritual de Judá através dos seus impulsos sentimentais indomáveis. A famosa escadinha da queda está presente quase que simultaneamente num único verso do texto: “viu, tomou-a e entrou a ela”.

Uma pessoa ferida, culpada, decepcionada, fugitiva e agora comprometido com a imoralidade, se precipita a estabelecer o que seria sua família. Os resultados foram devastadores.

O mesmo espírito de sensualidade que já vinha prevalecendo sobre Judá traça uma trilha de morte para seus dois primeiros filhos. Er chegou a um ponto de “assumir a forma do mal” que o Senhor o matou. Onã foi motivado pelo abuso e perversão sexual dentro da responsabilidade de suscitar descendência ao seu irmão, que também o Senhor o matou.

Pouco tempo depois, sua própria esposa também morre. Judá, agora, se resume num homem viúvo e desfilhado.

  1. Defraudação: Judá engana sua nora.“… mais justa é ela do que eu, porquanto não a tenho dado a Selá meu filho…” (Gn38:26)

“E que, nesta matéria, ninguém ofenda nem defraude a seu irmão, porque o Senhor, contra todas estas cousas, como antes vos avisamos e testificamos claramente, é o vingador.” (1 Ts 4:6)

Tamar era na realidade uma extensão do arraso que este espírito de sensualidade vinha realizando na casa de Judá. Primeiramente, casada com alguém terrivelmente mau (Er), se torna viúva, depois é enganada e abusada sexualmente por Onã, e agora é esquecida por Judá. Temos aqui a figura de uma mulher frustrada e ferida.

A cada dia Tamar percebia sua esperança se transformar em desesperança. A Bíblia fala que a esperança demorada enfraquece o coração.

A promessa feita por Judá de que Sela quando crescesse cumpriria a responsabilidade de suscitar sua descendência claramente havia caducado. Tinha que conviver com a vergonha e a maldição de ser uma mulher sem filhos, sem posteridade.

A certeza de que não passava de uma pessoa esquecida e abandonada adoecia cada vez mais seu coração e ela resolve dar uma lição no sogro. Mais uma vez a estratégia de fazer justiça com as próprias mãos foi através da imoralidade.

  1. Prostituição: Judá novamente tenta alívio na imoralidade e é saqueado. “Então ele disse: Que penhor é que te darei? E ela disse: O teu selo, o teu cordão, e o cajado que estás em tua mão. O que ele lhe deu, e entrou a ela, e ela concebeu dele”. (Gn 38:18}

Judá é surpreendido pelos seus próprios pecados. Tamar, inspirada por sua ferida, não tendo mais nada a perder, simplesmente apela, e trama um ato de prostituição com Judá, mesmo sabendo que isto poderia custar a sua vida: “E aconteceu que, quase três meses depois, deram aviso a Judá: Tamar, sua nora, adulterou, e eis que está pejada do adultério. Então disse Judá: Tirai-a fora para que seja queimada.” (Gn 38:24)

Judá sofre mais um terrível golpe deste espírito de sensualidade. Sem perceber, empenhou sua identidade num ato de prostituição e foi despojado. Quando ele tentou reaver seus objetos penhorados, simplesmente não conseguiu achar mais a suposta prostituta.

A Indenidade Saqueada

Judá perdeu três coisas quando se prostituiu: o selo, o cordão e o seu cajado. Estes símbolos da sua identidade foram levados pela prostituta.

Selo: identidade espiritual

É um símbolo da identidade espiritual. O selo ou anel de selar era a maneira pela qual uma pessoa autenticava sua assinatura num documento. Era carregado como um tipo de documento de identidade.

Significa você saber espiritualmente quem você é em Deus. Esta é uma chave tremenda para exercermos autoridade espiritual. A sua autoridade está estreitamente vinculada à sua identidade, ou seja, quem você é.

Judá perdeu contato com seu nome, com a identidade de filho de Jacó, Isaque e Abraão, herdeiros da promessa e linhagem messiânicas.

Cordão: identidade fraternal

O cordão ou lenço é o que chamamos de identidade fraternal. Estabelece o perfil dos nossos relacionamentos. É a capacidade moral de construir relacionamentos vitoriosos. Está ligada às nossas atitudes e princípios.

O cordão ou lenço servia para pendurar ao pescoço o anel de selar. Ou seja, a sustentação da nossa identidade espiritual reside nos princípios pelos quais estabelecemos e regemos nossos relacionamentos.

Não é difícil constatar como Judá foi saqueado nesta área de relacionamentos, a começar de vender José para os ismaelitas, mentir para o pai, abandonar seus irmãos, praticar o jugo desigual, perder seus filhos, perder sua mulher, e agora prostituir-se com a própria nora sem saber que era ela.

Ele foi roubado na sua personalidade da capacidade moral e emocional de estabelecer relacionamentos onde ele e os outros pudessem se realizar na vontade de Deus.

Cajado: identidade ministerial

O cajado é um símbolo do ministério da palavra de Deus em nós. Tipifica o chamamento, a visão de Deus para as nossas vidas. O cajado é a capacitação divina para vivermos de acordo com o propósito para o qual fomos criados.

O cajado é um símbolo não apenas do fazer ministerial, mas do ser ministerial. É quando você está granjeando as habilidades que Deus te deu e não as que ele não deu. Isto proporciona autoridade e produtividade sem grande demanda de esforço humano.

Por isto não devemos almejar posições, devemos almejar nosso dom, nosso cajado, e este dom em serviço ao corpo vai construir a posição certa que devemos ocupar.

Um dos grandes segredos da unção reside no ser ministerialmente, ou seja, na afinidade com nossa identidade ministerial. Neste ponto, a vida ministerial de Judá é retratada na figura de alguém totalmente deslocado, perdido e sem expectativas em relação aos planos de Deus.

A Indenidade Recuperada

Uma das facetas mais tremendas do poder de Deus é que sempre existe uma possibilidade de redenção. O plano de Deus têm uma dinâmica sobrenatural de prover novas oportunidades. Deus sempre tem um plano para aqueles que saem do plano, e isto sempre numa ação contínua.

Se você se identifica com Judá, que ao se refugiar na imoralidade foi despojado destes elementos básicos da identidade, vivendo sem convicção de propósito, divagando em várias indefinições, deixando um rastro de morte e relacionamentos destruídos, saiba que Deus sempre tem um plano de recuperação.

Existe ao nosso dispor uma provisão de autoridade, que procede do sacrifício de Jesus, suficiente para nos restítuir tudo que cedemos ao inimigo. Obviamente que isto exige um preço de muito quebrantamento espiritual e obediência da nossa parte. Vamos ver algumas promessas e princípios que promovem a redenção da nossa identidade:

1. Anel de selar: Princípios de arrependimento

A grande chave para recuperar o selo, retomando o referencial da nossa identidade em Deus é um profundo e genuíno arrependimento. Jesus promete: “Ao que vencer… dar-lhe-ei uma pedra branca, e na pedra um novo nome escrito, o qual ninguém conhece senão aquele que recebe”. (Ap 2:17)

Temos aqui, em questão, a igreja de Pérgamo, que apesar de possuir muitas virtudes, caiu terrivelmente na armadilha da sensualidade. Estavam sendo induzidos pela doutrina de Balaão, que como já vimos se resume numa incitação à imoralidade.

Jesus traça um caminho para quebrar as ligaduras da imoralidade. Depois de um apelo ao arrependimento, Ele desafia a igreja de Pérgamo a ouvir e entender a voz do Espírito, que estava movendo no sentido de recuperar a identidade corrompida e furtada pelo espírito de sensualidade.

Para os que se posicionaram e venceram, é oferecida uma pedra branca com uma revelação estritamente pessoal da identidade espiritual. Esta pedra branca, na verdade, trás consigo três significados básicos:

Era usada como um voto em benefício de um réu nos júris, ou seja, uma afirmativa da nossa absolvição, expressando o fato de que fomos perdoados em Cristo a partir de um arrependimento profundo e verdadeiro;

Era, também, na antigüidade, usada como documento de um escravo libertado, explicando que não apenas fomos perdoados, mas libertos do poder do pecado e de qualquer tipo de força que possa nos escravizar, mantendo genuinamente uma postura de renúncia aos desejos e sentimentos pecaminosos;

E, por fim, esta pedra tinha uma revelação pessoal, um novo nome, a maneira como Deus nos conhece e nos chama, ou seja, uma identidade divina que vem romper e substituir a identidade que o diabo tentou forjar em nós. Jesus quebra o jugo da imoralidade, libertando e resgatando nossa identidade para que possamos ser confortavelmente nós mesmos nele e para glória dele.

Foi exatamente isto o que aconteceu com o filho pródigo, quando Jesus fala que ele “desperdiçou toda a sua fazenda vivendo dissolutamente”. A palavra “dissolutamente”, no original, descreve uma vida devassa, promíscua e libertina.

Esse rapaz, assim como Judá, perdeu a sua identidade numa vida entregue à imoralidade, mas quando se arrependeu e voltou para a casa do pai, a primeira coisa que ele recebeu foi um anel, o selo da identidade que o reintegrou novamente na família, o direito de assinar que lhe delegava novamente responsabilidade e posse sobre todos os bens do pai: “Mas o pai disse aos seus servos:… porta-lhe um anel na mão…” (Lc 15:22)

O ponto de partida para a restauração da identidade é simplesmente um arrependimento verdadeiro onde vemos nosso pecado com os olhos de Deus, sentimos nosso pecado com os sentimentos de Deus e a partir daí fazemos o que precisa ser feito quebrando o espírito de rebelião e independência.

2. Cordão dos relacionamentos: Princípios de quebrantamento

“Filho meu, guarda o mandamento de teu pai, não deixes a lei de tua mãe. Ata-os perpetuamente ao teu coração, e pendura-os ao teu pescoço. Quando caminhares, isto te guiará; quando deitares te guardará; quando acordares, falará contigo.

Porque o mandamento é uma lâmpada, e a lei uma luz, e as repreensões da correção são o caminho da vida, para te guardarem da má mulher e das lisonjas da língua estranha”. (Pv 6:20-24)

Esta expressão “pendura-os ao teu pescoço” denota exatamente a figura do lenço ou cordão que pendurado ao pescoço sustentava o anel de selar.

Com isto concluímos que nossa identidade espiritual depende da identidade fraternal. Este texto evidencia três princípios que são profundamente vinculados entre si e extremamente relevantes no que tange a definir o sucesso dos nossos relacionamentos:

Submissão às autoridades

Quando não há submissão ou obediência no íntimo, há rebelião. Rebelião coopera com a vontade e o reino do diabo. Rebelião perverte o real conceito da lei e autoridade. Este texto mostra como a submissão é sinônimo espiritual de orientação (te guiará), proteção (te guardará) e revelação (falará contigo). Estes elementos são fundamentais para não cairmos nas ciladas da feitiçaria sensual.

Muitas distorções como o legalismo, o autoritarismo, a hipocrisia, o perfeccionismo, a possessividade, a manipulação, etc, que são totalmente nocivas a qualquer relacionamento nascem no berço da insubmissão. Resistir ao princípio da autoridade significa dar murros em ponta de faca.

Cada vez vamos nos machucando mais. Submissão opera a funcionalidade do reino de Deus viabilizando a unidade, a santidade e a autoridade.

Relacionamento com pais

Este é o ponto mais crítico da esfera humana de relacionamentos. O tipo de relacionamento que temos com nossos pais vai refletir no nosso relacionamento conjugal, com nossos filhos, amigos, irmãos, líderes, e principalmente no nosso relacionamento com o Pai celestial.

É essencial para a saúde dos nossos relacionamentos convertermo-nos de todo coração aos nossos pais, perdoando-os por suas falhas, honrando-os incondicionalmente e obedecendo-os no Senhor. Grandes vitórias e verdadeiros avivamentos sempre começam com uma restauração familiar.

Amor à correção

Este é o maior e real motivo de tantos ressentimentos e amarguras. Pessoas que pecam contra o amor à correção começam a destruir potencialmente seus verdadeiros relacionamentos, com aqueles que, de fato, os amam, e os corrigem.

Não amar a correção nos torna em bastardos (Hb 12:8), filhos ilegítimos, deserdados, andando por caminhos de morte, perdidos numa terra de fome como nos é contado pelo exemplo do filho pródigo. Resistindo a correção é que muitos acabam caindo em grandes ciladas e tendo a identidade seqüestrada pelo espírito de sensualidade.

O amor à correção além de preservar nossos relacionamentos catalisa o processo de crescimento e maturidade.

Estes três princípios, a submissão, a reconciliação com pais e o amor a correção, quando usados como um cordão de três dobras irão nos guiar, guardar e inspirar. Seremos preservados, bem como nossos relacionamentos do poder da sensualidade [má mulher) e da sedução (lisonjas da língua estranha).

Para colocar um colar ou cordão é necessário curvar o pescoço. Este ato de dobrar o pescoço expressa a figura da humildade e quebrantamento. A falta de quebrantamento é descrita biblicamente pelo termo “dura cerviz” ou pescoço duro que aponta para uma postura orgulhosa e inflexível.

Para recuperar nossa identidade fraternal, colocando novamente este “cordão de três dobras”, temos que nos dobrar diante destes princípios pelos quais relacionamentos são restaurados. Ou nos quebrantamos diante destes princípios ou continuaremos quebrados. Qualquer outro caminho para tentar recuperar nossa identidade, que não seja o quebrantamento diante destes princípios, é um beco sem saída.

3. Cajado ministerial: Princípios de restituição

O cajado que Judá perdeu através da sua prostituição também foi redimido e transformou-se num cetro de liderança. “O Cetro não se arredará de Judá, nem o legislador dentre seus pés…” (Gn 49:10). Isto foi um processo redentivo profundo e doloroso. Judá precisou enfrentar todos os seus medos, traumas e feridas, se posicionando com humildade e justiça.

Foi um longo caminho de volta que ele precisou percorrer. Primeiramente reconheceu sua culpa e injustiça no caso de Tamar. Depois, ainda que suas feridas e pecados estavam aparentemente acobertados pelo tempo, Deus começou a fazer toda verdade surgir.

Um tempo difícil de recessão e fome tomou conta do cenário mundial e com isto Judá e seus irmãos foram levados na presença de José, no Egito. Ali, José reconhece seus irmãos, mas eles não o reconhecem. Deus começou a espremer aquela velha ferida.

Neste processo, Judá se posicionou humildemente diante da dura correção de Deus. Sua alma foi sendo curada e sua identidade ministerial foi brotando.

Numa prova semelhante quando José fora vendido, agora novamente o irmão caçula, Benjamim, ficaria como garantia. Judá, então, age como um intercessor, dispondo sua própria vida como resgate do irmão, diante de José bem como diante de Jacó. Isto tudo acaba promovendo a maior reconciliação familiar que a Bíblia conta.

Esta postura intercessória de Judá se tornou numa das inspirações proféticas mais exatas da morte expiatória de Jesus. Através da intercessão ele lidera o comportamento dos irmãos, fazendo jus ao espírito da lei divina.

Agora Judá reencontra seu destino ministerial em Deus. Desponta-se como um intercessor, cheio de compaixão, um legislador justo, um verdadeiro líder. Aquele que vendera José por ciúmes, agora, dá a própria vida por Benjamim, o filho predileto que tomara o lugar de José. Seu ministério é redimido, o que é confirmado na profecia de Jacó antes de morrer.

Vemos aqui como tudo precisa ser devidamente restituído. A restituição é um ato relevante no sentido de curar feridas, purificar nossa consciência da culpa e interromper maldições. Para isto precisamos voltar nas pessoas certas, e num ato de humilhação, dizer a verdade, tendo toda disposição de reparar o que foi defraudado.

Preste a atenção nisto. Quadros de derrota em sua vida podem ser sobrenaturalmente revertidos através de um novo posicionamento. O tempo não ameniza nada. O tempo não pode redimir pecados, só o sangue de Jesus pode fazê-lo e isto é acionado pelo ministério do Espírito Santo que nos dirige ao arrependimento, quebrantamento e às restituições necessárias. Ouça o Espírito Santo e obedeça-o.

Ainda que tenhamos perdido o anel de selar, o cordão e o cajado por causa de pecados na área de imoralidade, todavia Deus quer nos mover a estarmos inconformados com esta situação. Podemos ter estes elementos da nossa identidade restituídos.

“Pelo que também Deus o exaltou soberanamente, e lhe deu um nome que é sobre todo o nome; para que ao nome de Jesus se dobre todo o joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai”. (Fp 2:9-1 V

Paulo está dizendo que o nome de Jesus tem autoridade sobre todos os outros nomes. O nome de Jesus foi exaltado pelo Pai para que toda identidade malignamente forjada em nós seja subjugada e substituída.

Todo nome de blasfêmia, toda falsa profecia que nos tem desvinculado do nosso propósito e destino em Deus podem e devem se dobrar diante da identidade pela qual e para a qual fomos criados. O nome de Jesus está exaltado para isto.

“Naquele dia, diz o Senhor dos Exércitos, te tomarei, ó Zorobabel, filho de Sealatiel, servo meu, diz o Senhor, e te farei como um anel de selar; porque te escolhi, diz o Senhor dos exércitos”. (Ag 2:23)

Aqui Deus expressa suas reais intenções para com seus servos. O desejo de Deus é fazer de cada um de nós seu próprio selo, sua própria marca, um instrumento da sua majestosa autoridade para tocar e transformar vidas. Pessoas com a identidade redimida, vão redimir a identidade de outros.

Sobre o autor

Wilson Lemos

Wilson Lemos

Meu nome e Wilson lemos,
sou evangelista formado em bacharel em teologia pelo instituto de teologia
SETAD.

Sou casado e tenho por missão ajudar você a crescer espiritualmente em conhecimento.

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