Estudos Bíblicos

Edificando o lar

Edificando o lar
Wilson Lemos
Escrito por Wilson Lemos

Amor e reconciliação ou Sensualidade e divórcio

Estes dois casais de palavras são inseparáveis porque estão debaixo da lei de causa e efeito. Examinando o livro de Oseias, fica patente que Deus não estava indiferente ao povo por causa de seus pecados. Ele declara abertamente sua intenção: “E desposar-te-ei comigo em fidelidade, e conhecerás ao Senhor. (Os 2:20)

Deus expressa, não apenas seu amor fiel e incondicional, mas também seu coração pacientemente perdoador, quando depois de Oseias ter sido abandonado por sua esposa, ele recebe a orientação divina de buscá-la novamente: “E o Senhor me disse; Vai outra vez, ama uma mulher, amada de seu amigo, e adúltera, como o Senhor ama os filhos de Israel, embora eles olhem para outros deuses, e amem os bolos de uvas”. (Os 3:1)

Deus é insistente em investir na sua aliança com o povo. Ele ama o casamento. Sua motivação é reconciliação, fidelidade paciente e amor. Amor sólido, rico em perdão, sabedoria e compromisso.

Deus jamais escolheu o caminho do divórcio, pois ele é um Deus maleável, flexível e reconciliador. Sua perfeição não comunga com a intolerância, mas se expressa pela paciência, longanimidade e pelos demais frutos do Espírito.

A essência da redenção que o Evangelho proporciona reside no espírito de reconciliação. Divórcio é a alternativa para pessoas que de alguma forma endureceram o coração para Deus em determinado relacionamento: “Moisés por causa da dureza dos vossos corações vos permitiu repudiar vossas mulheres; mas ao princípio não foi assim” (Mt 19:8).

De qualquer forma que seja, o comprometimento com a sensualidade produz esta dureza de coração que pode fatalmente levar ao divórcio.

Jesus foi claro em dizer que o divórcio nunca fez parte do propósito original de Deus para o homem. Isto não quer dizer que Deus deixou de amar ou de continuar a ter um plano para estas pessoas. Deus sempre tem um plano para os que saem do plano.

O plano de Deus é dinâmico e ele jamais desiste de nós. Seu amor nos persegue até as últimas conseqüências. Se não fosse assim estaríamos irremediavelmente perdidos.

Pessoas divorciadas não devem ser condenadas, nem aduladas, mas ajudadas com sabedoria a alcançar a aprovação de Deus.

Uma questão de sabedoria

“A sabedoria é a coisa principal…” (Pv 4:7);

Uma das piores conseqüências da sensualidade é que ela compromete a sabedoria.

Todas as vezes que a Bíblia menciona sobre construir o lar, o referencial é a sabedoria: “A sabedoria é a coisa principal…” (Pv4:7); “A sabedoria já edificou a sua casa… (Pv 9:1)”; Toda a mulher sábia edifica a sua casa, mas a tola (sensualidade) derruba-a com as suas mãos.” (Pv 14:1); “Com a sabedoria se edifica a casa, e com a inteligência ela se firma.” (Pv 24:3).

É interessante notar que a principal coisa que destrói muitos casamentos não é a falta de afeição, ou um adultério, ou até mesmo a incompatibilidade de gênios, mas a falta de sabedoria para resolver pequenos conflitos do dia a dia que tendem a se maximizar tornando o relacionamento insuportável.

Esta falta de sabedoria com traços de inveja amargurada e sentimento faccioso é denominada por Tiago de sabedoria carnal e diabólica. Ou seja, isto é a essência do assédio do espírito de sensualidade perturbando um relacionamento com o propósito de levá-lo à falência.

Sabedoria é uma unção que vem como conseqüência das influências espirituais a que nos submetemos devido aos valores que verdadeiramente escolhemos e contraímos. Se nos subjugamos à sensualidade, que é uma perversão do amor, nossa sabedoria será carnal (sensual) e diabólica.

Esta sabedoria nos destrói. Se nos submetemos ao amor de Deus que foi expressado pelo sacrifício de Jesus, seremos ungidos pela sabedoria que vem do alto e estaremos assessorados por uma engenharia celestial para edificarmos nosso lar. Esta sabedoria constrói a vontade e o propósito de Deus.

Edificando uma casa

“Os filhos dos profetas disseram a Eliseu: Eis que o lugar em que habitamos diante da tua face é estreito demais para nós. Vamos, pois até o Jordão, tomemos de lá cada um de nós, uma viga, e ali edifiquemos para nós um lugar em que habitemos. Respondeu ele: Ide. Disse-lhe um deles: Digna-te de ir com os teus servos. E ele respondeu: Eu irei”. (11 Re 6:1-3}

O casamento na prática não é algo tão simples como gostaríamos que fosse. Não dá para resumir naquele desfecho romântico dado por muitos filmes:”… e foram felizes para sempre”.

Acho muito interessante esta passagem da vida de Eliseu onde um de seus discípulos ao edificar uma casa, perdeu o ferro do machado que ao se soltar do cabo caiu dentro do rio Jordão. Uma casa de profetas, uma igreja é construída com machados, ou seja, através de casais e casamentos bem ajustados.

Neste sentido é necessário muita restauração, o que não é uma tarefa meramente natural. Precisamos da palavra profética personificada aqui por Eliseu, ou seja, da sabedoria que vem do alto para prover o encaixe necessário e manter uma postura de reconciliação.

Restaurar ou ajustar um relacionamento de tal forma a proporcionar uma atitude eficiente de amor e serviço exige um entendimento renovado pela sabedoria divina.

O machado é um símbolo do casal. O cabo e o ferro. Separados eles tem muito pouca utilidade. Juntos eles produzem uma ferramenta capaz de construir uma casa. E esta casa é a profecia de uma igreja poderosa.

O casamento é a arte de unir duas pessoas com natureza e passado totalmente diferentes, ferro e madeira, visando um propósito maior que é a família. Neste caso, Deus precisou mudar a natureza do ferro fazendo-o flutuar, para que o ajuste fosse conseguido.

A unidade tem o seu preço. A aliança tem o seu preço. A parceria tem o seu preço. Relacionamentos têm o seu preço. Casamento exige mudanças. Com certeza, no casamento Deus vai fazer este milagre de mudar a natureza.

É necessário lançar o madeiro no lugar certo para fazer o ferro flutuar. Aplicar a cruz. A cruz de Cristo detém a sabedoria de Deus que muda a nossa natureza. Quando aquele madeiro foi lançado no lugar certo o ferro flutuou.

É necessário voltar nestes pontos, onde o ferro tem afundado, onde espiritualmente o casamento está sendo perdido, e quando aplicamos a cruz, o milagre da reconciliação acontece, “lembra-te, pois, donde caíste, e arrepende-te, e pratica as primeiras obras”; (Ap 2:5). Para aqueles que a palavra da cruz é loucura, há muito pouca ou nenhuma esperança de um casamento próspero.

O casamento é um cheque-mate de Deus no nosso orgulho e egoísmo. Casamento é o grito da interdependência. Interdependência ou morte! Não há lugar mais para a independência. Aqui começam as mudanças. É impossível unir duas pessoas num casamento abençoado por Deus sem que seja necessário mudar a natureza delas.

Nas bodas de Caná, esta foi a mesma mensagem que o primeiro milagre de Jesus nos ensina quando ele transforma a água em vinho.

A coisa mais imediata num casamento são problemas. Na própria festa do casamento uma dificuldade ocorreu. E o que Deus quer demonstrar com isto é que ele deseja mudar nossa natureza. A felicidade no casamento acontece quando nossa natureza é mudada por Jesus. Só ele pode dar cor, sabor, suavidade e alegria num lar, estas coisas são fruto da nossa transformação.

Em vista disto é necessário ressaltar o grande segredo que faz um casamento dar certo. Primeiramente é necessário frisar que este elemento não é a paixão. Isto pode parecer muito estranho e pouco romântico, mas é verdade.

A paixão, apesar de ser o que inicialmente atrai um casal, muitas vezes é uma ilusão que dura pouco. Ela é só a faísca inicial. O que um casal precisa mesmo é a sabedoria da cruz. Todo tesouro que precisamos vem pela verdadeira sabedoria, que proporciona um relacionamento sólido de amor.

Sobre o autor

Wilson Lemos

Wilson Lemos

Meu nome e Wilson lemos,
sou evangelista formado em bacharel em teologia pelo instituto de teologia
SETAD.

Sou casado e tenho por missão ajudar você a crescer espiritualmente em conhecimento.

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