Estudos Bíblicos

A Igreja Católica Romana

A Igreja Católica Romana
Wilson Lemos
Escrito por Wilson Lemos

É com muita relutância que entro na discussão seguinte, mas é que me sinto forçado a fazê-lo devido às opiniões equivocadas que prevalecem. Há muitos, muitos cristãos que tem sido ensinados e que estão convencidos que a Babilônia de Apocalipse é a Igreja Católica Romana. E, a partir dessa conclusão, eles então começam a fabricar alguma escatologia bastante fantasiosa.

Alguns têm o Papa como sendo o Anticristo.

Outros pensam que a Igreja Romana domina o mundo secretamente. E ainda outros vêem o movimento ecumênico, com a Igreja Católica à frente, se levantando para dominar o mundo. Essas e inúmeras outras conclusões tais como essas são fruto de uma má compreensão de alguns simples versículos bíblicos.

Um dos mais proeminentes desses versículos é encontrado em Apocalipse 17.9, onde lemos que a prostituta está assentada sobre “sete montes”. Muitos professores da Bíblia têm olhado para este versículo e pensado, “Ah, sete montes! Isto deve ser uma referência secreta à Roma”, uma vez que a antiga literatura secular se refere a ela como uma cidade sobre sete montes.

Tenho até ouvido dizer que João usou esta frase como uma espécie de código, para se referir à Roma. Alguns dizem que, uma vez que ele era prisioneiro dos romanos, ele não ousaria escrever o verdadeiro nome, mas teve que usar um tipo de cifra.

À medida em que você prosseguir em sua caminhada cristã, você também, sem dúvida alguma, irá ouvir todo o tipo de explanações tais como essa. Mas a verdade é que João escreveu exatamente aquilo que o anjo mostrou a ele.

Vamos lembrar aqui de que, nos dias de João, não mais havia sete montes proféticos. Como já vimos, cinco deles já caíram. Isto nos deixa apenas dois. Portanto, isto não pode e não é uma referência secreta a Roma.

Consequentemente, a Igreja Católica Romana não está em vista. Também, não podemos nos inspirar na literatura secular tal como a estória de Rômulo e Remo, mas somente a palavra de Deus. Em nenhum lugar na Bíblia é Roma referida como a “cidade sobre sete montes”, ou qualquer coisa deste tipo.

Infelizmente, a versão bíblica do Rei James (e NKJV) é responsável por grande parte desta confusão. Esta versão introduz uma palavra extra no texto que não está no manuscrito grego, incluindo o Textus Receptus de onde foi tirado o KJV. E é esta palavra extra que produz tanto erro. Esta é a palavra “LÁ”. O texto de Apocalipse 17.9,10, na versão NKJV, lemos: “As sete cabeças são sete montes… Lá também estão sete reis”.

Colocar a palavra “LÁ” neste verso desassociamos as montanhas dos reis, gramaticamente. Agora, ao invés de serem iguais, eles são adicionais. Assim, então, quando você lê: “Cinco já caíram”, isto se referiria apenas aos reis, deixando as sete montanhas intactas.

Mas de fato, nos textos originais gregos, a palavra “LÁ” não aparece. Todos os textos dizem: “As sete cabeças são sete montes…e são sete reis”. As cabeças, montes e reis são iguais. Sendo assim, quando lermos que “cinco já caíram”, isto não apenas se refere aos reis, mas também se refere aos montes e às cabeças.

Então isso não é uma referência secreta a Roma, e, portanto, não nos aponta para a igreja católica romana.

Quando pensamos sobre isso com uma mente aberta, outros problemas com a igreja católica, como sendo a prostituta, ficam evidentes. Não há dúvida de que, as primeiras pessoas que inventaram esta doutrina viveram em épocas e lugares diferentes dos nossos. Todos nós tendemos a interpretar a escritura à luz da situação geopolítica que estamos vivendo no momento.

Tal sugestão, que faz referência a Roma, foi dada pela primeira vez há séculos atrás, quando a igreja romana era afluente e poderosa. Naquele tempo ela parecia excessivamente rica, e dominava muito o cenário político da Europa.

Contudo, os tempos mudaram. Roma não é conhecida como uma cidade portuária. Ela está localizada às margens do Rio Tiber, que fica há uma certa distância do mar. O porto mais próximo a Roma, que poderia servir suas necessidades marítimas, não pode ser considerado como um dos principais do mundo.

Além do mais, não poderia ser dito hoje, ou até imaginado, que a igreja católica está deixando rico todos os donos de navios. Simplesmente não é verdade que todos os mercadores do mundo estão fazendo fortunas, vendendo as suas mercadorias ao Vaticano.

Também já temos estudado da dificuldade de uma única cidade ser a fonte de tanto comércio e de tanta riqueza. E ainda, a influência do Vaticano sobre os governantes do mundo está diminuindo mais e mais a cada ano. Por exemplo, no Brasil, que é considerado o maior país católico do mundo, o percentual de católicos está decrescendo dramaticamente.

Embora a igreja católica ainda tenha influência em muitas partes do mundo, não poderíamos dizer que ela está “reinando” sobre as nações. Embora a igreja católica perseguiu e martirizou muitos crentes no passado, isto não é algo que está prevalecendo em nossos dias.

Tentar encaixar a igreja católica de hoje na profecia do apocalipse, é como tentar forçar alguém fazer algo para o qual não tem a menor capacidade. Não dá certo.

Uma outra dificuldade lógica que encontramos em “Babilônia ser a igreja católica” é que Babilônia é destruída “em uma hora”. (Apo.18.17,19) Embora isto possa não se referir a uma “hora” literal, porém indica um período de tempo muito curto.

Assim, como poderia alguém destruir a igreja católica em uma hora? Colocariam eles bombas sincronizadas em cada catedral, para que explodissem ao mesmo tempo? Isto é simplesmente ridículo. Explodiriam eles apenas o Vaticano? Eliminar o Vaticano não acabaria com o catolicismo. Provavelmente isto ainda teria um efeito contrário.

Muitas das religiões perseguidas acabaram apenas aumentando, ao invés de desaparecerem.

Não há uma maneira lógica de alguém destruir a igreja católica com fogo em “uma hora”.

Quando pensamos sobre isto calmamente e racionalmente, a igreja católica realmente não se encaixa em muitos dos detalhes claros que vemos nas escrituras. Uma outra fonte desse ensino onde se tem Roma como Babilônia é o livro escrito por Alexandre Hislop, entitulado “As duas Babilônias”, que foi primeiramente publicado em 1916.

Neste livro, Hislop traça muitos paralelos entre os rituais, vestimentas, práticas e símbolos da igreja católica com aqueles da Babilônia antiga.

Ler esta obra é uma tarefa seca e poeirenta. Ele realmente foi bem sucedido, contudo, em demonstrar que a igreja Romana possui muitas armadilhas babilônicas. Mas,isto não prova que ela é a Babilônia do Apocalipse.

O fato óbvio é que a igreja romana, e até mesmo muitas das igreja “evangélicas”, de hoje estão é cheias de símbolos mundanos. Porém, muito mais do que isso é necessário (por exemplo algumas escrituras concretas) para se concluir que a igreja católica é a Babilônia, a grande prostituta. 

Sobre o autor

Wilson Lemos

Wilson Lemos

Meu nome e Wilson lemos,
sou evangelista formado em bacharel em teologia pelo instituto de teologia
SETAD.

Sou casado e tenho por missão ajudar você a crescer espiritualmente em conhecimento.

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