Estudos Bíblicos

A Glória da Cruz

A Glória da Cruz
Wilson Lemos
Escrito por Wilson Lemos

O texto de Gálatas 6.14 nos fala de três crucificações: 1) a crucificação de nosso Senhor Jesus Cristo; 2) a crucificação do mundo para nós; 3) a nossa crucificação para o mundo. Temos então a crucificação de Jesus, a crucificação do mundo e a nossa crucificação pessoal. É a cruz de nosso Senhor Jesus Cristo.
Eu não creio em “cruzes”.

Eu creio só numa cruz — a “cruz de Cristo”. A “estaurolatria” (adoração à cruz) é um pecado como qualquer outro pecado de idolatria. E. nesta posição, consideramos a cruz de nosso Senhor Jesus Cristo. É uma só.Cada vez que vejo um crente com uma cruz no peito, no chapéu, ou em qualquer outro lugar, logo penso: não é a de Jesus. Portanto, não é a minha.

“Mas longe esteja de me gloriar-me, a não ser na cruz.” Naquela. Onde Jesus foi crucificado. Onde crucificou o mundo. E onde nós fomos crucificados juntamente com ele. Tomemos o seguinte pensamento: por que nós nos gloriamos na cruz de Cristo? Em apreciando apenas algumas bênçãos que temos recebido e que podemos receber, segundo a Palavra de Deus. desta cruz de Cristo.

Em primeiro plano, a Palavra de Deus nos mostra que Cristo, ao morrer naquela cruz. carregou os nossos pecados, as nossas culpas, as nossas transgressões. Ele recebeu naquela cruz a nossa condenação. Esta é a doutrina da substituição. Ela é verdadeira; é importantíssima. Mas é comum hoje a pregação de que Cristo morreu tão-somente por nossa substituição.

O problema está nessa parcialidade. Ê verdade que Cristo morreu por nossos pecados, mas ele foi além disso.No capítulo 9 de Hebreus, verso 26: “…mas agora na consumação dos séculos, uma vez se manifestou, para aniquilar o pecado pelo sacrifício de si mesmo.” Eu posso perfeitamente reconhecer que todos os pecados cometidos estão aniquilados naquele sacrifício e que não há pecado que este sacrifício não possa destruir.

Não se trata de diminuir os pecados, nem de dizimá-los. Também não é reduzir os pecados, mas aniqui¬lá-los! E o sentido de aniquilar é que não ficou mais nenhum para contar a história. É o sacrifício de Jesus. É naquela cruz, onde vemos que os nossos pecados foram levados.

“Havendo riscado a cédula (dívida) que era contra nós nas suas ordenanças. a qual de alguma maneira nos era contrária, e a tirou do meio de nós. cravando-a na cruz.” (Cl 2.14.) Eu entendo esta passagem como um processo, acusação, ou culpa formada por dívida impossível de ser paga.

E como não podíamos pagar esta dívida. Jesus assumiu a responsabilidade por ela. Devemos lembrar-nos de que se trata de dívidas de pecados cometidos.

E levou-a para a cruz — respondeu por ela, cravou-a ali na cruz, pagou em nosso lugar toda a nossa dívida. “Porque também Cristo padeceu uma vez pelos pecados, o justo pelos injustos, para levar-nos a Deus: mortificado. na verdade, na carne, mas vivificado pelo Espírito.” (I Pe 3.18.) Naquela cruz, então, podemos ver que foram consumidos os nossos pecados.

1 Pedro 2.24: “Levando ele mesmo em seu corpo os nossos pecados sobre o madeiro, para que. mortos para os pecados, pudéssemos viver para a justiça: e pelas suas feridas fostes sarados.” Mais uma vez a doutrina da substituição. Cristo tomando, em nosso lugar, o nosso pecado.

O versículo 5 de Isaías 53, para mim, merece destaque especial. “Mas ele foi ferido pelas nossas transgressões, e moído pelas nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras (feridas) fomos sarados.”

Pedi a Deus que me mostrasse o que significava Gálatas 6.14:
— Não compreendo. Senhor, o sentido destas palavras: eu me glorio na cruz de Jesus Cristo, como diz o texto: “Mas longe esteja de mim gloriar-me, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo.”
— O Senhor está dizendo que devo gloriar-me nessa cruz. Eu queria conhecer esta glória.

Poucos dias depois, abriguei um pecado de ódio, de antipatia. Esse pecado chamou outro, que chamou mais um terceiro, como diz a Bíblia: “um abismo chama outro”. E nesta tentação, sob esta nuvem, e sob a acusação de pecado, eu tinha que partir para duas séries de conferências. Pensei, no meu coração, que deveria desistir desses trabalhos. Não iria. Mas, o motivo era muito vergonhoso.

Quando se aproximou a hora da partida, fui acometido de uma profunda depressão, uma verdadeira tempestade caiu sobre mim.

Parti. E, no camarote do navio, comecei aquela viagem pensando comigo:— Que tara um pobre derrotado a pregar um evangelho de vitória para salvar aqueles que até parecem estar melhores do que ele?”Fui para a cabine, abri a Bíblia, e Deus mostrou-me em primeiro plano que eu estava debaixo das garras acusadoras do diabo. Eu disse:— Isto eu sei. Senhor, pois eu aceitei pecado em meu coração.Mas voltei para a leitura bíblica e comecei a ler Isaías 53.

Quando cheguei ao verso 5: “Ele foi ferido pelas nossas transgressões, e moído pelas nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados”, vi, pela fé, meu Senhor crucificado, e pude ver que todos os meus pecados estavam nele! Inclusive estes!, e a luz gloriosa veio para o meu coração! Profunda paz se estabeleceu! Percebi por mais uma vez na minha vida.

distinta e profunda experiência com Jesus Cristo. Então eu pude ver se transformar, em um piscar de olhos, o meu estado de alma, que era de unia profunda depressão, amargura e desânimo, em gloriosa libertação alegre e feliz! O bendito sacrifício, ó bendita cruz. onde Jesus tem colocado uma série de bênçãos preciosas.

Aquela viagem foi cheia de vitória. Quando perguntei ao Senhor, ainda implicando com Gálatas 6.14:
— Senhor, em que consiste mesmo a glória da cruz? A resposta foi esta:
— Examine a sua experiência. Você já passou por esta glória da cruz.
Então me lembrei de que a glória da cruz consiste no fato de que Jesus fez uma obra por mim naquela cruz. O Senhor disse-me ainda:
— Há mais glória ainda nesta cruz.

Passo a passo tenho encontrado essa glória crescente da cruz, pois a Palavra de Deus está certa. “O trabalho da sua alma ele verá, e ficará satisfeito; com o seu conhecimento o meu servo, o justo, justificará a muitos, porque as iniquidades deles levará sobre si.” (Is 53.11.)
A outra glória da cruz está no fato de que Jesus nos justifica.

Aqui é a justificação negativa. Há dois processos de justificação: um é o processo de responder pelos nossos crimes, e o outro é o processo positivo de conduzir-nos pelas veredas da justiça mediante a ressurreição de Cristo dentre os mortos — ressuscitou para nossa justificação. “O qual por nossos pecados foi entregue, e ressuscitou para nossa justificação.” (Rm 4.25.)

São dois os processos de justificação: um é pagar pelo que devemos, e o outro é segurar-nos para não voltarmos mais às dívidas. O primeiro processo está na cruz, onde ele recebeu sobre si todas as nossas iniquidades, e ficando com essas iniquidades, conseqüentemente, ele nos justificou. Se, por exemplo, alguém transferir uma dívida para outra pessoa, ficará livre.

Assim, se a minha foi tirada e colocada em Jesus, então estou justificado.E é assim que a Palavra de Deus nos mostra este lado da justificação. É mais uma glória da cruz em nosso Senhor Jesus Cristo.

Depois, Paulo escreve aos colossenses dizendo: “Se pois, estais mortos com Cristo (ele já havia escrito que nós já havíamos sido mortos com Cristo) quanto aos rudimentos do mundo, por que vos carregam ainda de ordenanças. como se vivêsseis no mundo?” (Cl 2.20.) Ele discute esta doutrina, apontando a heresia de uma salvação pelas obras, por processos de invicções, como diz o texto.

“Se. pois. estais mortos com Cristo quanto aos rudimentos do mundo, porque vos carregam ainda de ordenanças, como se vivêsseis no mundo, tais como: não toques, não proves, não manuseies?” (Cl 2.20, 21.) Pois o ponto fundamental é que na cruz de Cristo fomos mortos para o mundo.

Agora temos que falar do mundo. Nosso grande recurso contra o mundo é a cruz de Jesus. “O qual se deu a si mesmo por nossos pecados, para nos livrar do presente século (mundo) mau, segundo a vontade de Deus nosso Pai.” (Gl 1.4.) Temos libertação na cruz, onde Jesus se entregou para nos libertar deste presente mundo mau.

Mas vemos no texto de Gálatas 6.14 que, naquele sacrifício, ele, o Salvador, crucificou para nós o mundo, e np fato de estar o mundo crucificado, temos esta vitória contra o mundo pela sua cruz.
Se alguém tem um lugar neste mundo, ainda não viu na cruz de Cristo a crucificação do mundo.

Interessante, não estamos separados do mundo por uma cerca: não estamos separados do mundo por uma parede: não estamos separados do mundo por uma distância. Estamos separados do mundo apenas pela cruz do Senhor Jesus Cristo. Nada nos poderia separar melhor do que a experiência da cruz.

Eu vi esta cruz separar-me poderosamente do mundo. Sei que a juventude recorre a métodos psicológicos, a métodos científicos, a métodos filosóficos, procurando se unir a Cristo, separando-se do mundo. Mas o método divino de nos separar do mundo é a cruz do seu Filho Jesus. É nela que encontramos a perfeita, suficiente e cabal separação.

Depois, a Palavra de Deus nos fala: “Mas longe esteja de mim gloriar-me, a não ser na cruz do nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo.” (Gl 6.14.) O mundo está crucificado para nós. Não temos mais nada com ele, pois a cruz é o ponto de separação.

Eu tive um problema com um membro da minha igreja, que acabou voltando para o mundo. Parece-me que ele não voltou ao mundo, pois ninguém volta para o lugar de onde nunca saiu. Ele discutia de uma maneira muito interessante, usando inclusive textos bíblicos.
— Mas, Jesus não disse: “Ide por todo o mundo”?
— Meu amigo, você não está indo por todo o mundo, você está detido dentro do mundo!, dizia-lhe eu.

Mas este homem não pôde entender que a cruz o separava do mundo. E por isto mesmo lá continuou. Mas se cremos que Cristo morreu, que naquela cruz crucifi¬cou o mundo para nós, olhamos para o mundo como um vale de mortos, e tenho certeza de que nada desejaremos dele.

Quando eu era incrédulo, morria por um baile. Era desesperado por um baile. Depois de muitos anos de convertido, já era pastor, eu ia passando por uma rua, à noite, e vi uma aglomeração, e pensei:
— O que está acontecendo ali?
Procurei olhar, e vi que era um baile. Abaixei a cabeça e pensei comigo:— Que coisa repugnante.

Mas eu não sabia que era a glória da cruz de Jesus Cristo que já me separava daquilo que eu tanto amara. Já estou crucificado e este mundo já está crucificado para mim, e com ele não tenho mais nada. Os prazeres antigos já não me inspiram mais. Que bênção maravilhosa! É a glória da cruz de Jesus Cristo.

Ele carregou os meus pecados; ele crucificou o mundo para nós. Se você é um crente mundano, saiba que não possui esta experiência da crucificação do mundo para você. Volte-se para o Senhor Jesus e diga:__ Eu quero participar desta glória da tua cruz. Eu quero ser separado do mundo pela tua cruz. — Então verá como a cruz trará esta glória para a sua vida.

Temos outro texto da Palavra de Deus que nos mostra que Cristo nos crucificou para a lei. É importante esta expressão, porque a lei tinha uma conta dura a acertar conosco: a lei havia ordenado uma porção de coisas, e nós não as tínhamos cumprido! E ela, com toda a sua justiça e com toda a razão, tinha o direito de nos condenar, porque estávamos de fato errados contra ela.

Então Jesus nos crucificou também para a lei. E a boa lei, que faria bem em nos condenar, também ficou satisfeita naquela cruz onde Jesus nos crucificou para ela.

Há a declaração da Palavra de Deus: “Assim, meus irmãos, também vós estais mortos para a lei pelo corpo de Cristo, para que sejais doutro, daquele que ressuscitou dentre os mortos, a fim de que demos fruto para Deus.” (Rm 7.4.) Imaginemos uma pessoa que está devendo perante a justiça, por uma série de crimes, de transgressões contra a lei.

A polícia vem com a precatória do juiz, ou um mandato de prisão. Chega à casa deste homem e determina a sua prisão. Sua mulher pergunta:
— Que é que os senhores querem?
— Queremos prender fulano de tal.
— Podem entrar.

— Onde ele está?
— Ele está morto aqui em cima da mesa.
— Ah, ele está morto?
— Não vão levá-lo?
— Se ele está morto, não.

A justiça não quer mais nada com um morto. Se ele estivesse vivo iria para a cadeia, mas morto não tem mais nada que pagar. E a Bíblia fala disto. “Porque aquele que está morto está justificado do pecado.” (Rm 6.7.) Se alguém, que tem crimes a pagar, morrer, a lei não tem mais o que fazer dele. Defunto na cadeia ninguém quer.

Por isto então Jesus entrou por este processo, e fez-nos morrer nele, perante a lei. E nesta bênção gloriosa da cruz, ganhamos uma vitória, não contra a lei, mas contra os crimes que nos condenavam mediante a lei.

A lei é boa; não falamos mal da lei. Se a lei nos pusesse no inferno, estaria fazendo exatamente o que é certo. Mas Jesus matou-nos, e disse:— Defunto não tem responsabilidade por seus crimes. E assim ele nos justificou. Esta é a glória da cruz de Cristo para nós.

Paulo comenta a justa exigência da lei e mostra que havia um choque entre nós e o Deus desta lei: “Porque ele é a nossa paz, o qual de ambos os povos fez um; e.

derribando a parede de separação que estava no meio, na sua carne desfez a inimizade, isto é, a lei dos mandamentos, que consistia em ordenanças, para criar em si mesmo dos dois um novo homem, fazendo a paz. e pela cruz reconciliar ambos com Deus em um corpo, matando com ela as inimizades.” (Ef 2.14-16.) Porque todas as vezes que um juiz tem que impetrar uma pena sobre um réu, não há amizade entre o juiz e o réu.

Isto é justo. O texto mostra a nossa irreconciliação com Deus enquanto ele estava com a justa lei exigindo punição dos nossos crimes. Mas Jesus veio e consertou tudo com a glória da cruz.
A Bíblia fala de duas reconciliações: 1) a nossa reconciliação com Deus; 2) a nossa reconciliação com todos os povos, com todos os nossos semelhantes.

Depois de falar da irreconciliação entre gentios e judeus, Paulo mostrou que gentios e judeus foram reconciliados pela mesma cruz, e ganhando a amizade divina, ganharam a amizade entre si. Não somos mais gentios e judeus — somos irmãos.

Não somos mais inimigos de Deus — somos amigos, porque, na cruz, Cristo nos fez morrer para esta inimizade.
Vejamos a outra glória da cruz. Tenho uma experiência pessoal com ela. E quero destacar a verdade gloriosa: é que naquela cruz está o remédio para todas as doenças e enfermidades.

Todas. Eu sei que para a infecção é preciso antibiótico; para reumatismo é preciso anti-reumático; para gripe, antigripal; para vermes, vermífugos, e assim por diante. Mas na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo está o remédio para todas as enfermidades.

Para o câncer, para a doença de coração, glória a Deus! Para qualquer outra enfermidade!Por mais de 25 anos eu vivi condenado pelos médicos. Houve médico que chegou a dizer:__ Ele não vive mais 10 dias!Cerca de 20 médicos me alertaram para o grande perigo em que estava vivendo. Diziam:

Seu coração não vale nada!

Certo dia, em Curitiba, eu ia às 5:50 h da manhã para o templo da Igreja Batista em Capão da Imbuia. Havia reuniões de oração pela manhã e evangelísticas à noite. Levantei-me. de manhã, sentindo profunda dor queimando-me o peito.

Eu tinha que percorrer seis quadras até o templo. E aquela dor foi crescendo. Quando avistei o templo, pensei em correr. Mas pensei:
— Se correr, vou agravar o problema. Não posso correr. Agora não é tempo de correr. Mas vou cair aqui e tenho certeza de que até eu ser socorrido estarei morto.

Então orei:
— Senhor, o teu servo já viveu bastante neste mundo. Muito obrigado pela vida. E agora. Senhor, estou pronto. Irei para o meu descanso em ti.

Mas o Espírito Santo me falou naquela hora:
— Pelas suas feridas fomos nós sarados. Quando o Espírito Santo me falou isso, eu disse:
— Amém, Senhor!
E a dor começou a desaparecer.

Eu pude andar depressa. Cheguei ao templo onde já havia um grupo de irmãos, ajoelhados, e começamos a orar. Esqueci que tinha sido curado. Depois continuamos o trabalho num ritmo intensivo, ao lado de um jovem pastor, muito ativo. Esqueci-me. Para mim aquela cura tinha sido apenas uma melhora.

Mas não sabia que naquela hora estava sendo radicalmente curado pelos ferimentos de Jesus na cruz. do Calvário! Levei dois meses para provar que estava curado por completo. Não tinha coragem. Ficaria talvez como aquele paralítico a quem Jesus disse: “Levanta-te e anda.” Ficaria deitado, são, sem ter coragem de acreditar que estava curado.

Mas eu estava admitindo que tivera uma melhora daquela dor. Mas quando comecei a subir escadarias correndo, o que não podia fazer nem se andasse devagar, quando comecei a pegar peso e pôr nas costas, e ainda subir escadarias correndo, disse:

— Graças a Deus, estou curado, aleluia! Estou inteiramente curado!
Nós vemos no Salmo 107.20: “Enviou a sua palavra, e os sarou.” Eu creio no texto: “Pelas suas feridas fomos nós sarados.” É uma questão de aplicar a Palavra de Deus.

Assim naquela manhã o Senhor me enviou a Palavra da cruz. “Pelas suas feridas fomos nós sarados.” Eu lhe disse: “Amém.”
Realmente fui curado. Agora dou este testemunho para a glória do Senhor. A cura é mais uma das glórias da cruz de Jesus Cristo.

Eu não tenho dúvidas. Foi com lágrimas nos olhos e muita emoção que ouvi Kathryn Kuhlman dizer:
— Eu creio em milagres! Eu também creio.

Não apenas por uma razão qual¬quer, mas por experiência própria.Falemos de uma outra glória da cruz. Ela realizou em nossa pessoa uma experiência de erradicação da nossa natureza perdida. Sem a cruz, ninguém pode entrar pela porta do novo nascimento, porque ela é a porta do novo nascimento.

Por isto Jesus explicou para Nicodemos: “E. como Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do homem seja levantado.” (Jo 3.14.) Jesus fala da sua crucificação, como porta do novo nascimento.

O texto sagrado nos declara: “Porque já estais mortos, e a vossas vida está escondida com Cristo em Deus.” (Cl 3.3.) Morrestes! O texto destaca a nossa experiência de morte com ele, e mostra-nos que esta experiência nos deu a segurança da vida com Cristo em Deus. Desse modo a Palavra de Deus aponta a nossa morte em Cristo Jesus.

Primeiro foi a morte do mundo, depois foi a destruição do pecado, a destruição das enfermidades e doenças. Agora é a nossa morte. Gálatas 2.20 diz que fomos colocados naquela cruz para morrer: “Já estou crucificado com Cristo; e vivo. não mais eu. mas Cristo vive em mim: e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé do Filho de Deus. o qual me amou.

e se entregou a si mesmo por mim.” Nós fomos colocados na cruz. Por quê? Porque precisávamos morrer para entrar nesta salvação. Desse modo o processo salvador de Jesus não foi outro, mas, sim, a aplicação de sua morte.

Fomos crucificados com Cristo. A nossa pessoa está envolvida na cruz; para quê? Para a destruição dos elementos negativos que compõem a nossa natureza. E o caso é que um irmão nasce brasileiro, o outro nasce americano, o outro, alemão, mas a natureza é uma só. E o texto nos mostra que são: carne, velho homem e o eu.

Ainda não achei mais do que isto na Bíblia. Mas, também, é impossível haver coisas piores do que a carne, o velho homem e o eu.O texto sagrado mostra que o nosso “velho homem” foi crucificado: “Sabendo isto, que o nosso velho homem foi com ele crucificado. ” (Rm 6.6.) Esta é a outra glória da cruz.

Ouvi um irmão contando de um pastor:
— Aquele pobre ministro vai de fracassos em fracas¬sos.
Um dia, à mesa daquele ministro, há muitos anos passados, eu o ouvi declarar:
— Infelizmente não posso afirmar que o meu “velho homem” foi crucificado com Cristo.

Qual é o caminho? Qual é o fim? Lá está a história contada. De fracasso em fracasso. Você já viu o “velho homem” interessado em servir a Deus? Romanos 6.6 diz que ele quer servir é ao pecado e não a Deus. Se ele não está crucificado, a sua derrota está marcada, está decidida.

Naquela cruz temos esta glória maravilhosa: “O nosso velho homem foi com ele crucificado.” Há esta outra declaração: “E os que são de Cristo crucificaram a carne com as suas paixões e concupiscências.” (Gl 5.24.) Naquela cruz se encontra mais esta glória da inteira crucificação de nossa carne com as paixões e cobiças.

Depois, a Palavra de Deus nos fala que entramos nesta morte com Cristo para podermos viver a vida real. Quem entra nesta cruz com Cristo chega à vida real.

“Porque, se fomos plantados juntamente com ele na semelhança da sua morte, também o seremos na da sua ressurreição.” (Rm 6.5.) E mais: “Palavra fiel é esta: que. se morremos com ele, também com ele viveremos.” (2 Tm 2.11.) Aquele que quiser viver, precisa morrer! Está aqui a última glória que queremos destacar.

É que nesta cruz nós encontramos exatamente a porta da vida, porque se morrermos com ele, cremos que com ele viveremos.
Resta ainda falar das lágrimas de Paulo. Aquele homem, para mim, era muito duro, o tipo de homem impetuoso, um homem difícil de chorar. E digo mais, o homem resignado, quando é castigado, está ainda mais longe de chorar.

Dentro da cidade de Filipos, apanhou em pleno tribunal, e a sua reação foi: cânticos, hinos de louvores e oração. Choro não. Mas depois encontramos Paulo chorando.
— Que foi? O que aconteceu para fazê-lo derramar lágrimas?
— É irmão, eu me encontrei com os inimigos da cruz de Cristo. E eu aguentaria muita coisa neste mundo.

Mas estes inimigos da cruz de Cristo me fizeram chorar: “Porque muitos há, dos quais muitas vezes vos disse, e agora também digo. chorando, que são inimigos da cruz de Cristo.

Cujo fim, é a perdição; cujo Deus é o ventre; e cuja glória é para confusão deles, que só pensam nas coisas terrenas.” (Fp 3.18, 19.)
Jamais teremos visão espiritual se não aceitarmos todas as glórias da cruz de Cristo.

Por isto chegamos a esta conclusão gloriosa: longe esteja de nós o nos gloriarmos a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para nós e nós estamos crucificados para o mundo. Graças a Deus por esta cruz gloriosa do nosso Senhor Jesus Cristo. Amém.

Sobre o autor

Wilson Lemos

Wilson Lemos

Meu nome e Wilson lemos,
sou evangelista formado em bacharel em teologia pelo instituto de teologia
SETAD.

Sou casado e tenho por missão ajudar você a crescer espiritualmente em conhecimento.

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